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Espaço do Cidadão – 03 de junho de 2018

Ludmila Ximenes - gerente de relações internacionais do estádio do Mineirão | 03/06/2018 | 03:30

É ANO DE COPA: O QUE 2014 ME FEZ SENTIR NA PELE: Quando 2018 apontou, logo na virada das horas, pensei: é ano de copa! A sensação é de que fazia poucos dias que corríamos com os preparativos ao lado de profissionais dos quatro cantos do mundo para fazer acontecer o maior e mais importante evento mundial que tive orgulho de participar. Desde então, quatro anos se passaram, já nos encontramos às vésperas de mais uma Copa do Mundo e não há hora melhor para analisar quais eram as expectativas antes do Mundial e compará-las com os nossos resultados. Muito se falou sobre o legado e não podemos esquecer que ele vai muito além da arena propriamente dita. Trata-se de investimentos que refletem uma herança para a geração seguinte, seja no esporte, na cidade, no meio ambiente, no turismo e até na economia. Mas não se pode ignorar que uma das expressões que mais acompanharam a palavra “legado” foi “elefante branco”, fazendo referência às arenas. No período pré-copa, me arrisco a dizer que as duas expressões eram quase amigas inseparáveis.

O período de preparativos me mostrou, de forma escancarada e em dimensão nunca vista antes, a grande dificuldade de planejamento do nosso país. De 12 arenas, fomos a única a ser entregue dentro do orçamento e no prazo estabelecido. Ainda assim, de lá para cá foram muitas lições, respondidas com trabalho, aperfeiçoamento e aprendizado. O pós-copa, muitas vezes satirizado pela opinião pública e questionado internacionalmente, tem no Mineirão bons números para se amparar. Desde 2013, somente em partidas de futebol, 6 milhões de pessoas passaram por aqui. Duas das três maiores rendas do futebol das Américas foram obtidas no Mineirão. Sem contar o público dos mais de 250 eventos que, intercalados com o futebol, mostraram para o país o real significado de arena multiúso. Não posso deixar de registrar também o trabalho que vai além das quatro linhas: como nossa adesão ao Pacto Global, a certificação na categoria máxima do selo “Leed” de sustentabilidade e o Museu Brasileiro do Futebol, que dissemina o esporte bretão como cultura. Belo Horizonte entrou definitivamente para a rota dos grandes espetáculos. E a Esplanada, projetada para receber com tranquilidade o público dos jogos da Copa do Mundo, com detectores de metais operados pela segurança da Fifa, hoje é diariamente ocupada pela população da cidade para a prática de esportes e lazer. Seus 80 mil m² estão sempre recheados de programação e eventos para todos os gostos e bolsos.

Ludmila Ximenes – gerente de relações internacionais do estádio do Mineirão


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