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Espaço do Cidadão – 03 de março de 2018: Reprovação geral, o pior Congresso

ESPAÇO DO CIDADÃO - opiniao@jj.com.br | 03/03/2018 | 05:44

Sempre ouvi as pessoas dizerem que as casas legislativas vão piorando em qualidade de seus membros a cada eleição. Ouvia isso logo depois que deixei os três mandatos consecutivos de vereador em minha cidade, mas nunca levei a sério. Não há de ver que a sabedoria popular mais uma vez provou estar certa? No final do ano passado, em levantamento feito pelo Datafolha, verificou-se que 60% dos entrevistados consideraram ruim ou péssima a atual legislatura do Congresso Nacional. Em setembro de 1993, no auge da crise inflacionária aliada ao escândalo dos “Anões do Orçamento” esse percentual estava em 56%. Não só a rejeição subiu como a aprovação caiu para 5%, o pior percentual já registrado até então. Levemos em conta que o levantamento do Datafolha foi feito pouco depois que a Câmara impediu a tramitação da segunda denúncia criminal contra o presidente Temer. Os dados nos dão conta que a atual legislatura é, na média, a mais mal avaliada.

Por outro lado, foi divulgada recentemente uma pesquisa pela consultoria Ideia Big Data, encomendada pelo Brazil Institute/Wilson Center (Estadão – 20.01.18), onde 84% das pessoas disseram discordar da afirmação de que “o Congresso representa o povo brasileiro”. Já disse em artigo anterior que, dentre os 137 países avaliados no Índice de Competitividade Global pelo Fórum Econômico Mundial de Davos, o Brasil está em último lugar quanto à confiabilidade do povo nos políticos. É certo que desde junho de 2013 escancarou-se a crise de representatividade, porém, dez anos antes – em 1993 -, com o escândalo dos “Anões do Orçamento”, essa insatisfação já se mostrava evidente. Mas, foi com a operação Lava-Jato que as entranhas da corrupção vieram à tona, mostrando entre outras coisas como funciona o balcão de negociatas de compra e venda de votos, leis e medidas provisórias. A cada dia, mais envolvidos. Uma vergonha nacional!

Os deputados (federais e estaduais), e porque não dizer vereadores, estão muito preocupados em homenagens ao invés de se debruçarem sobre os problemas reais que a população vive. Eles usam esse expediente porque isso lhes traz dividendos políticos em todos os sentidos. Não podemos dizer que os parlamentares não nos representam. Vivemos sim, uma crise de representatividade por culpa dos políticos, mas temos também que atribuir aos eleitores o descaso na hora de escolher seus representantes. O eleitor vota e depois não acompanha o trabalho do seu representante. Só de quatro em quatro anos podemos mudar isso. É agora, em outubro. É hora de deixarmos de ter o pior Congresso!

Gilson Alberto Novaes – professor de Direito Eleitoral do Mackenzie Campinas


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