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Espaço do Cidadão – 03/04/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 03/04/2019 | 04:00

AUTISMO
Quando ele nasceu, como qualquer outra família pedimos à Deus que ele tivesse saúde pro resto da vida. Ele foi crescendo, se desenvolvendo, estava cada dia maior e mais pesado! Que alegria! Os marcos de seu desenvolvimento foram todos passados com louvor! Apontava os objetos, olhava quando era chamado, andou poucos dias após o seu aniversário de 1 ano. Tudo corria na mais perfeita ordem. Perfeita ordem? Existe isso? Mal sabíamos que o normal não, necessariamente, é o certo para nós, que fora da vida em que vivemos, existem tantos outros “universos particulares” e que cada um segue sua vida dentro das suas limitações. Limitações? Existe isso? Mal sabíamos que as limitações para uns são exatamente o que precisam para ser feliz! Ser feliz? Existe isso? Mal sabíamos que nas pequenas coisas, nas pequenas atitudes e nos pequenos avanços, podíamos ser mais felizes que muitos ganhadores de “oscars”. Ele foi crescendo, e, a partir de seus 18 meses percebemos que algo estava errado! Ele não falava nada, pouco emitia sons, começamos a perceber que ele batia muito os braços quando estava muito feliz ou ansioso, começou a chorar e gritar mais do que sempre fez. Chamar a mãe ou o pai, só aos gritos de “ouuuuuuuuu”. Conversamos com um conhecido, com outro e sempre as mesmas falas,“ele é muito mimado”, “vocês fazem tudo o que ele quer, falar pra que?”,“coloca na escola, vocês vão ver, vai falar rapidinho.” Quando ele completou 20 meses colocamos na escola. “Agora tudo será resolvido!” O tempo foi passando e nada, a escola nos chamou, fez milhares de apontamentos e até diagnósticos deram. A partir daí começamos a girar em torno do nosso rabo, desculpem a expressão. Conhecemos vários médicos, vários especialistas e cada um dizia uma coisa. Resultado: estávamos perdidos. Foi aos 3 anos e meio que veio o laudo definitivo, dado por uma equipe multidisciplinar da universidade de SP. Estava lá, escrito, no papel, na nossa testa e na cara dele, aquele rótulo, AUTISTA. Como todas as famílias passamos por um período de luto, só quem recebe esse diagnóstico sabe o que estou falando, mas não durou muito não. Fomos à luta! Vamos fazê-lo desenvolver seu melhor! Crescemos, amadurecemos, sofremos, vivemos cada segundo com um peso de um nome em um papel: AUTISTA. Com tudo isso que contei, quero deixar para quem está lendo e que tem um filho com diagnóstico de TEA, de que o mundo é muito maior do que um simples diagnóstico. Que temos sempre que correr atrás do melhor para os nossos filhos, mas que nunca podemos permitir que limitem suas conquistas e seus aprendizados. Necessitamos com urgência que os profissionais envolvidos com o transtorno do espectro do autismo, professores, fonoaudiólogos, médicos e psicólogos, sejam capacitados para lidar com pessoas como o meu filho.
Renata Haddad


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