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Espaço do Cidadão – 03/10/2018

LEITOR | 03/10/2018 | 04:00

REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 32: No dia 2 de outubro (ontem), foi lembrada uma revolução que ocorreu há 86 anos, em que a população saiu às ruas e pegou em armas para exigir uma nova Constituição, em que os direitos democráticos fossem respeitados. Essa história começa em 1930. Antes de Getúlio Vargas chegar ao poder, o país era comandando pela Política do Café com Leite, onde a presidência era alternada entre as elites cafeicultoras paulistas e pecuaristas mineiras.

Após o movimento rebelde de 1930, que não aceitava a vitória de Júlio Prestes nas eleições presidenciais, Getúlio inicia uma luta armada e toma o poder. Na presidência, ele trata de suspender a Constituição Republicana de 1891, fechando o Congresso Nacional, assembleias legislativas e câmaras municipais e indica interventores militares para governar os estados – com a intenção de reduzir o poder dos fazendeiros que sustentavam o regime deposto de 1930. Os civis paulistanos organizaram um movimento armado que culminou na Revolução Constitucionalista de 1932.

O estopim do conflito deu-se em maio daquele ano, quando quatro jovens, dentre muitos outros que lutavam pela Constituição, morreram em batalha. Os jovens eram Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, conhecidos como mártires da resistência que formam o acrônimo MMDC. Em 9 de julho a Revolução Constitucionalista mobilizou muitos homens de São Paulo para lutar contra o governo federal. As tropas paulistas eram formadas por soldados da Polícia Estadual e voluntários. Assim, iniciaram uma ofensiva contra as tropas federais, mais logo São Paulo se viu cercada por mais de 100 mil militares federais.

Mesmo sem apoio de outros estados, o povo paulista conseguiu reunir uma tropa com mais de 200 mil voluntários. As tropas foram para os fronts lutar contra as tropas federais que estavam mais equipadas e numerosas. Estas últimas dispunham de aviões, que bombardearam cidades do interior, entre elas Campinas. Em um destes ataques aéreos o menino Aldo Chioratto, que estava a serviço do Exército Constitucionalista, entregando correspondência, foi atingido por estilhaços de uma granada lançada por aviões do governo federal. O menino, na época com 9 anos, não resistiu aos ferimentos e tombou no cumprimento da missão.

Mesmo em número menor, os paulistas não se abatiam, muitos levaram suas armas pessoais para o front. São Paulo criou uma moeda própria para arrecadar fundos, com o slogan “ouro para o bem de São Paulo”. Depois de três meses de lutas e muitos mortos e feridos, os soldados paulistas se renderam em 2 de outubro. Apesar da derrota, obtiveram uma conquista política. O governo federal garantiu a realização de eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, encarregada de elaborar a nova Constituição.
Antonio Carlos Soares – 2º Sargento da PM


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