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Espaço do Cidadão – 04/01/2018

LEITOR | 04/01/2019 | 04:00

OS PRIMEIROS SINAIS DA POLÍTICA EXTERNA
O Brasil elegeu Jair Bolsonaro como seu novo presidente. Como manda a Constituição, cabe ao presidente eleito nomear e exonerar ministros, exercer a direção superior da Administração Federal, sancionar leis, manter relações com Estados estrangeiros, celebrar tratados, convenções e atos internacionais, dentre outras atribuições. Ainda que no papel tais competências possam parecer simples, trata-se de um amplo rol de responsabilidades, cuja adequada realização depende de muito mais do que de boa vontade. Depende de uma equipe competente, da disponibilidade de boas informações e da capacidade de compreender os reflexos das decisões para os setores importantes do país e com vistas ao longo prazo. Nesta conjuntura, deve-se ter em mente que nenhum país existe isolado no mundo, e que um bom governo deve considerar os objetivos do país no seu relacionamento com os demais. Quais podem ser esses objetivos? Aumentar as trocas comerciais? Ganhar aliados? Aumentar sua influência pelo mundo? Seja qual for o objetivo internacional de um governo, as relações internacionais servem não apenas para o intercâmbio cultural ou político, mas também econômico. E o intercâmbio econômico favorável depende necessariamente das boas relações políticas. Nesse ponto, o novo governo iniciou seus passos de forma preocupante, uma vez que as declarações dadas até então desestabilizam os pilares ponderados de longa data construídos pelo Itamaraty. O primeiro ponto de preocupação foram as declarações em relação à China, e seus investimentos no Brasil, que têm sido frequentes em áreas bastante importantes para nós, como no setor de portos e infraestrutura. O país asiático é o destino mais frequente dos produtos brasileiros, sendo nosso maior parceiro comercial. Competir com a China significa competir com um mercado de mais de um bilhão de pessoas, com quase sete vezes a população brasileira. Não se pode arriscar perder tantos clientes num momento em que o Brasil precisa gerar mais negócios, exportar mais e gerar mais empregos. Precisamos ter na China um aliado, não um “ponto neutro”. Um outro ponto bastante crítico refere-se ao Mercosul. As declarações dadas até então parecem colocar nosso bloco regional em segundo plano. Há quem defenda essa posição, alegando que nossos vizinhos são economicamente muito menores que o Brasil e que, portanto, não devem nos interessar. A Argentina é nosso terceiro maior parceiro comercial, estando à frente da Alemanha. Os argentinos compram de nós muito mais do que nós compramos deles. O Uruguai é destino frequente da internacionalização das empresas brasileiras, e boa parte de seu rebanho bovino e ovino é dos nossos frigoríficos.
João Alfredo Lopes Nyegray


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