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Espaço do Cidadão – 05/07/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 05/07/2019 | 04:00

MISSÃO DO PAPA
Fui seminarista da Companhia de Jesus por mais de onze anos, trilhando um caminho semelhante ao do padre Bergoglio, argentino, que é o atual Papa Francisco. Dizia-se que os jesuítas, provavelmente por alguma espiritualidade inaciana, jamais deveriam subir na hierarquia eclesiástica. Não era comum encontrar algum religioso da Ordem elevado à condição de bispo ou cardeal. Havia exceções: por exemplo, o Cardeal Roberto Belarmino, italiano, posteriormente santificado.

Contudo, esse costume não foi solidamente observado. No transcorrer dos anos, notamos prelados de origem jesuítica, inicialmente, os de caráter missionário, como Dom Aquino Correia, e depois, outros sacerdotes no Episcopado, dentre eles, um grande amigo e colega dos meus tempos de Filosofia, já falecido e muito lembrado, Dom Luciano Mendes de Almeida. Chegamos, agora, ao cardeal argentino Mario Bergoglio, eleito para o pontificado no último conclave, que adotou o nome de Francisco.

Francisco deve conhecer bem a história da Companhia de Jesus, na qual o diretor Joffé baseou seu filme “A Missão”, passado nos anos de 1750, aproximadamente, em que os missionários catequizavam índios guaranis em meio às cataratas do Iguaçu. Filme encantador pelas paisagens, pela música de Ennio Morricone, a atuação de atores como Robert Di Niro e Jeremy Irons, e um enredo que aborda justamente o problema do conflito entre os missionários e os colonizadores, a civilização católica e o roteiro de prescrições pombalinas. Esse conflito se agravou em todos os países onde atuavam os inacianos. Em 1773 o Papa Clemente XIII extinguia a Ordem, com a encíclica “Dominus ac Redemptor”. Jesuítas foram expulsos de todas as nações, e só retornariam em meados do século 19, um exemplo disto é o Colégio São Luiz, instalado em Itu, em 1882.

Deveu-se, a lamentável extinção, aos atos políticos da Ordem jesuítica nos governos em seus países. Hoje temos a famigerada “teologia da libertação” infiltrada nos povos americanos. Faria bem o Papa Francisco em assistir, no filme de Joffé, a certas lições de diplomacia e apostolado. Para lembrar acontecimento recente, Sua Santidade preferiu a interlocução com um indígena a dialogar com o próprio presidente da Nação brasileira, sobre os projetos da Amazônia. Ou, pelo menos, teria a consultar figuras afinadas com a cultura e a índole do brasileiro, autoridades da Igreja, por exemplo, um Cardeal Odilo Scherer, ou Orany Tempesta, representantes de uma grande população católica.. O Papa, optando pela opinião dos caciques, poderá lançar, cachoeiras abaixo, a tradição de sua Igreja!.
Antônio Luiz Gomes


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