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Espaço do Cidadão – 06/10/2018

LEITOR | 06/10/2018 | 04:00

COMPROMETIMENTO: A atuação do doutor Faustino Vicente revela o caráter do verdadeiro homem comprometido com os interesses populares. Exerce com sabedoria a cidadania. É um exemplo a ser seguido. Essa conduta tem nome e sobrenome: Democracia Participativa!
Lázaro Piunti – ex-prefeito de Itu

O TRIBUNAL DO DIPLOMA CONTRA A OPINIÃO PÚBLICA: Têm sido recorrentes os debates sobre a emissão de opiniões por pessoas de todas as formações educacionais. Muitos afirmam que não se deve opinar sobre aquilo que não conhece, somente pessoas com “formação na área” como afirmou Karnal no programa Roda Viva, ao refutar o projeto Escola Sem Partido. Na sua visão, as pessoas que encabeçam esse projeto não têm credibilidade, pois não são formadas na área da Educação.

Mas, afinal, podemos dar uns pitacos em qualquer assunto ou não? Por que não? Por que sim? Em primeiro lugar, esclareço minha formação no Direito. Sou advogado. Isso é importante para que entendam meu posicionamento. Sempre fui favorável à ideia de que todos têm algo a dizer. Se vai ser relevante ou não veremos ao fim. Não podemos ceder para esse Tribunal do Diploma, que vem ganhando espaço nas discussões, segundo o qual só se pode falar sobre algo quem tem um diploma na parede de sua sala.

Tenho escrito sobre isso ultimamente. É uma tarefa um pouco cansativa, mas necessária para explicar o que é uma simples opinião e o que é conhecimento técnico/profissional. Nossa Constituição Federal presenteia a todos com a livre manifestação do pensamento no inciso IV do artigo 5°, além da liberdade de consciência no inciso VI do mesmo artigo. É ser muito egoísta estabelecer um critério educacional para desmerecer a opinião de alguém. Não há nada de errado em opinarmos sobre qualquer assunto, desde que esclareçamos que se trata de uma opinião.

É diferente quando alguém solicita ajuda a uma pessoa que está passando mal na rua! Num procedimento cirúrgico, um médico não deve perguntar aos assistentes o que eles acham que deve ser feito caso algo dê errado, do mesmo modo ele não deve indagar aos assistentes o que seria melhor fazer: amputar um membro ou tentar reconstituí-lo. Pois só um profissional cirurgião deve saber!

Vejo com clareza a diferença entre opinar e falar profissionalmente sobre algo. O primeiro trata-se de uma percepção intuitiva, externada pelo “eu acho que”; o outro é um parecer técnico sobre o mesmo assunto. É cômico ver pessoas desmerecendo a opinião do público alegando falta de formação acadêmica, pois a Constituição não faz tal distinção. Escrevi, recentemente, que “a opinião é a expressão da alma; o conhecimento profissional é a expressão da ciência”. Estou convencido disto.
Marcelo Vasconcelo – advogado


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