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Espaço do Cidadão – 08/03/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 08/03/2019 | 04:00

AS MULHERES E O DINHEIRO NO SÉCULO 21
Antigamente, as mulheres não precisavam se preocupar com as finanças, pois os homens eram os provedores da casa. Fazia parte da cultura conservadora que elas não tivessem envolvimento com o dinheiro. A maioria se dedicava às tarefas domésticas e aos filhos, ou seja, serviam exclusivamente à família.
Pesquisas afirmam que a insegurança da mulher em lidar com o tema vem principalmente das sequelas da cultura machista em que apenas o homem se revelava como um profissional, provedor, assim como falado anteriormente. Isso explica a menor tendência feminina às jornadas integrais de trabalho, não há uma divisão igualitária das tarefas cotidianas na estrutura familiar brasileira, diferente do que acontece em muitos países desenvolvidos, a exemplo disso, a Suécia.
A critério de exemplo, em 2003, Araújo e Scaflon realizaram uma pesquisa em que participaram 2000 domicílios brasileiros e chegaram à conclusão de que o trabalho doméstico continua sendo designado às mulheres, gerando assim dupla jornada onde pode influenciar a dificuldade da mulher em administrar o dinheiro.
Muito embora alguns estudos apontem para o fato de que as mulheres decidem na hora da compra, o que ocorre é que a decisão de onde/como investir o dinheiro que sobrou no mês fica a cargo dos homens, ou seja, o provedor continua decidindo o destino das finanças em dias atuais.
Eu diria que hoje a mulher tem quase 50% do seu orçamento destinado a “estética”, dessa forma comprometendo seus rendimentos. No entanto, no meio masculino, isso é irrelevante e a mulher tem uma cobrança imposta pela sociedade. Elas pagam mais caro a coparticipação em seus convênios, pois usam mais que os homens. Exemplo simples, homem pode, durante uma semana, trabalhar com uma calça e uma camiseta branca e a mulher tem uma cobrança para não pode repetir roupas.
Qual seria a solução para isso? Devemos ficar esperando a sociedade entender que a mulher não é uma “vitrine de moda”? Será mesmo que temos que esperar a sociedade entender isso ou cabe a nós mostrarmos no dia a dia ? Ou mudar nossa postura diante das cobranças excessivas de imagem da sociedade, que impactam diretamente em nossas finanças?
Com o conteúdo de finanças voltado ao universo feminino tem que ser assim: as mulheres têm que exigir, para que o mercado forneça isso à elas e desse modo, somente assim, poderá se iniciar um processo de modificação cultural sobre o relacionamento mulher X dinheiro.
Natalia Cunha


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