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ESPAÇO DO CIDADÃO: 09/03/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 10/03/2019 | 04:00

JESUITAS E PEDOFILIA
O Papa Francisco vem atuando de forma elogiosa no combate aos deslizes homossexuais delatados nos seminários. Afinal, o jesuíta Mario Bergoglio é o primeiro discípulo de Santo Inácio a ocupar o trono de Pedro. Ele deve ter conhecido, nos países em que exerceu o episcopado, problemas em colégios e seminários que só adotaram a coeducação sexual ao final do século passado. Nem era possível impedir que algum “LGBT” ingressasse nas fileiras religiosas, nas quais nem todo padre vestia batina azul, ou nem mesmo toda freira, hábito cor-de-rosa!…
Na condição de membro da Companhia de Jesus, vivi também em colégios e seminários nos quais os “casos” eram levados aos superiores e tratados, geralmente, com a transferência de um sacerdote para outro estabelecimento. No “São Luís” da capital paulista, no “Sto. Inácio” do Rio. Note-se que somente a partir dos anos 50 essas escolas adotaram a coeducação. Um fator nada desprezível, objeto mesmo de escritores que abordaram o tema em seus romances, por exemplo, Raul Pompeia em “O Ateneu”, Lins do Rego em “Doidinho” etc. Consequentemente, poderíamos citar a obrigatoriedade do celibato, como fator ponderável nas dificuldades que o Papa tem ainda a enfrentar!
Quando eu cursava Filosofia na Faculdade em Nova Friburgo, o Colégio Anchieta oferecia cursos aos jovens do Rio, dentro daquelas antigas condições (corria o ano de 1958!). Veio para lidar com os estudantes um novo padre, que portava sempre seu breviário no qual se lia um lema paulino: “Cáritas/Bônitas”. Atitudes, que resultaram em denúncias de pedofilia, propagaram a fama de que o tal jesuíta gostava de “caritas bonitas”!
Contudo, no “Anchieta” da serra fluminense tivemos sacerdotes brilhantes, como o Padre Afonso Rodrigues, nosso Diretor espiritual. Padre Rodrigues empenhou-se em solucionar os problemas da Igreja católica. Enfrentou muitos adversários, dentre os quais um famoso cronista carioca, J. G. Araujo Jorge, que apelidara os jesuítas de “vira-latas”! Indignado, padre Rodrigues o enfrentou pela imprensa, publicando um soneto que terminava assim: “A lata que encontro, a esmo, se é de lixo, eu viro, mesmo! Cuidado, hein, J.G.!”
O papa Francisco tem exemplos com os quais pode se espelhar!
Antônio Luiz Gomes

ESPACO DO CIDADAO


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