Opinião

Espaço do Cidadão - 09/05/2019


O MURO DA ESCOLA Quando soubemos da tragédia na Escola “Raul Brasil”, de Suzano, um de meus primeiros comentários foi: “A Escola tem muro?” Pelas fotos ficou claro que aquele estabelecimento, cruelmente atingido, conta não apenas com cercas e manutenção, como também com funcionários atentos ao movimento em que os conhecidos criminosos agiram e passaram. Perguntei, sob a lembrança de um acontecimento da década de 70. Quando assumi a direção do antigo “Instituto de Educação”, Escola Estadual Experimental de Jundiaí, a bela e ajardinada frente da escola, na Rua do Retiro, 680, contava apenas com uma baixa mureta. De uma “Escola risonha e franca”! Não demorou muito, a poesia foi desfeita. Um assaltante vindo dos lados do “Córrego do Mato” entrou na escola, sumiu pelos corredores, chegou a se esconder na quadra e foi, finalmente, preso por uma guarnição policial. A ocorrência motivou a comunidade escolar a providenciar... o MURO! Ele foi construído, cimentado, e, feio ou não, lá ficou até hoje para garantir a segurança! Mas a melhor lição foi dada pelos próprios alunos, familiares, professores, funcionários, que promovem até hoje as ilustrações, as figuras, mensagens, lembranças, e tudo o que sintetiza uma guarda afetiva e respeitosa. No dia 11 deste maio, a EE “Dom Gabriel Paulino Bueno Couto”, que foi pioneira no Experimental, e passou pelas fases de Escola Primária, Ginásio e Colégio, completa 73 anos de sua fundação, pelo Decreto estadual de 1946. O amplo quarteirão que abrangia os prédios, inclusive, do Primário anexo, teve sua divisão, estabelecendo a Escola municipalizada, cujo patrono passou a ser nosso prezado Prof. Flávio D`Angieri. Nas décadas de 60 e 70, graças a dispositivos da Lei 4024/61, o então “Instituto” que já formava mestres para o ensino Fundamental, passou a ter classes do método Experimental, graças ao empenho do Prof. Nassib Cury, do Prof. Luiz Contier (cujo filho, Luiz Augusto, foi meu aluno no São Luís da Capital), e de uma talentosa equipe de docentes e coordenadores, muitos dos quais já faleceram. As subsequentes reformas do Ensino nacional, iniciadas pela Lei 5692/71, cessaram e transformaram muitas inovações, como as do Experimental, Vocacional, Pluricurriculares etc., para estabelecimento e consolidação das formas pedagógicas agora vigentes. Todavia, resistente a todas as oscilações e tremores da realidade educacional, o Muro da Escola, colorido, ilustrado, cheio de belas mensagens, figuras, anotações e lembranças, permanece atento e vigilante, e livre, ao que se espera, da atuação de vândalos e criminosos que destroem com pichações os valores da Cultura e da História. Antônio Luiz Gomes

Notícias relevantes: