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Espaço do Cidadão – 10/10/2018

LEITOR | 10/10/2018 | 04:00

2º TURNO – O IMPACTO DA ELEIÇÃO NA GERAÇÃO DE EMPREGOS: No último domingo, o Brasil inteiro foi às urnas votar e eleger os políticos que governarão o país nos próximos quatro anos. Se entre os representantes do Legislativo o próximo governo já está definido, o mesmo não aconteceu para o Executivo do palácio do Planalto. Em três semanas iremos votar novamente para escolher o próximo presidente do Brasil e, no cenário escolhido no dia 7, temos os candidatos do PSL, Jair Messias Bolsonaro, e do PT, Fernando Haddad.

Os dois com maior rejeição irão se enfrentar no segundo turno. O cenário de ódio e polarização tem dado o tom no debate democrático. O fato é que, após o dia 28 de outubro, independente do resultado das urnas, todos perderemos de alguma forma, uma vez que uma grande parcela da população não aceitará o resultado e não se sentirá representada pelo próximo governo. Esse cenário já conhecemos e é ele que acentua a instabilidade e a crise econômica que estamos vivendo nos últimos anos.

Vamos avaliar primeiro o cenário com Bolsonaro, já que ele liderou as urnas com 46% dos votos válidos. O que mais assusta o mercado é o medo do desconhecido, que na verdade, não é tão desconhecido assim por já ser deputado desde 1991. O candidato é visto como uma incógnita cercada de instabilidades e polêmicas. Apesar disso, a indicação do economista Paulo Guedes para o ministério da Fazenda é bem vista por parte do mercado e traz certa segurança quanto às capacidades de escolha do “futuro presidente”. O candidato do PSL defende o livre mercado e as reformas trabalhista, previdenciária e tributária, além de propor a desburocratização do governo e menos ministérios.

Do outro lado, com 29,3% dos votos válidos, está Haddad. Quando se compara carisma e discurso, o candidato do PT ganha de seu oponente, mas seja por decisões de campanha ou por simplesmente ser o candidato que representa o governo dos últimos 16 anos e, consequentemente, todos os escândalos de corrupção que assolaram o Brasil recentemente, Haddad tem configurado um risco muito grande para o mercado. Em todo o primeiro turno, ele ignorou propostas para retomar a economia, e mais do que isso, o plano de governo apresentado deixou o mercado assustado quando abertamente criticou reformas importantíssimas para tirar o Brasil da crise. Não fosse esse completo silêncio para o mercado econômico, talvez Haddad diminuísse o medo de alguns setores.

A democracia se faz com visões opostas debatendo e negociando. Enquanto vivermos esse cenário polarizado, onde todos gritam e ninguém se escuta, estaremos fadados a enxergar o outro como inimigo. Nos resta torcer para que o eleito utilize esses quatro anos para colocar o Brasil de volta nos trilhos.
Marcelo Olivieri – bacharel em Psicologia


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