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Espaço do Cidadão – 10/11/2018

LEITOR | 10/11/2018 | 04:00

TEILHARD E O CRIACIONISMO: Aula de Filosofia na faculdade. Abordávamos as ideias dos filósofos pre- socráticos e me pareceu interessante confrontar hipóteses sustentadas por alguns deles, como Tales e Anaxímenes, ou Heráclito e Aristóteles, com a atual Ciência. Estudamos “Cosmos”, filme do astrônomo Carl Sagan, sobre a origem do planeta, e seu calendário cósmico. As etapas afiguravam-se em milhões de anos. Houve, entre meus alunos, uma dúvida. Como entender a cosmogonia exposta em “Cosmos”, em face do que se lê na Bíblia cristã, no livro do Gênesis? Respondi concordando com a dúvida do aluno, principalmente na minha condição de antigo seminarista que havia estudado as Escrituras durante mais de dez anos, e justamente essa problemática do “hexaémeron”, os seis dias da Criação, tema de um ótimo curso ministrado para nós pelo beneditino Dom Estevão Bettencourt!

Este assunto chega num momento propício, visto que certas mentes fantasiosas e cheias de malícia divulgam teses falsas a propósito da futura atuação do presidente Jair Bolsonaro. Uma delas é que as escolas serão forçadas a ensinar as crianças o conto de fadas do “Criacionismo”!!! E essa bobagem merece primeiramente a repulsa de quem busca na história dos primórdios a realidade das comunidades primitivas, nas quais nem mesmo existia a linguagem escrita, e a transmissão familiar acontecia somente pela oralidade.

As etapas científicas de Sagan caminham no mesmo paralelismo da narrativa bíblica. Um Big Bang desencadeando todos os degraus de organização e separação que levaram ao aparecimento da vida, do universo vegetal e animal, e dos primatas humanos. Enfático, o narrador do Gênesis conclui seu capítulo 2º- com a poética criação do primeiro casal, o homem e a mulher, dois sexos somente, e sua original inocência!

Houve problemas na tentativa de aproximação entre essas duas dimensões da nossa realidade, a religiosa e a científica. O jesuíta francês Teilhard de Chardin, no século 20, dedicou sua vida missionária na China ao estudo e pesquisa do “Sinantropo”. Sem desprezar a dimensão bíblica, o sacerdote escreveu a tese “O Fenômeno Humano”. Por ela sofreu como se tivesse aderido a uma heresia!

Felizmente, a Evolução passou a ser aceita dentro dos muros teológicos, e a presença científica da Inteligência criadora passou a integrar o colorido fantástico das Escrituras. Inadmissível é colocar-se na dialética materialista dos teóricos marxistas, que repelem a Bíblia e sua Verdade, assim como os antigos censores condenavam as conquistas da Ciência!
Professor Antônio Luiz Gomes


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