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Espaço do Cidadão – 11/10/2018

LEITOR | 11/10/2018 | 04:00

PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DEVE SER PERMANENTE: Muito bom o artigo do Dr. João Carlos José Martinelli na edição do Jornal de Jundiaí da última segunda-feira (9). A participação política da população deve ser permanente e não se extinguir com o voto. A fiscalização e a cobrança dos eleitos deve ser contínua, assim como as reivindicações por uma vida digna. Fiquei muito contente com a volta de textos do Dr. Martinelli também na edição impressa. Que eles sejam mais constantes.
Luiz Morato Gonçalves

O BRASIL TORNOU-SE MAIS POLITIZADO? O VOTO NAS MÃOS DA PAIXÃO: Uma grande pergunta que podemos fazer ao olhar o cenário político nacional é: o brasileiro se tornou mais politizado com a crise do sistema? Para refrescar a memória, vamos analisar o histórico dos últimos anos. Em 2013, acredito ter sido um marco, quando houve grandes manifestações. O assunto era o aumento da tarifa dos transportes públicos. Ao chegarmos a 2016, os protestos foram contra a ex-presidente Dilma e reuniram mais de três milhões de pessoas pelo país. E esse envolvimento dá a impressão de que a resposta para a questão é positiva.

Outros fatores apontam para essa rápida resposta. Uma recente pesquisa, realizada pelo Datafolha, mostra que 84% dos brasileiros são a favor da continuidade da operação Lava Jato e que a luta contra a corrupção não deve parar. Esse e outros dados dão a impressão de que nos tornamos mais politizados, mas será que isso realmente aconteceu?

Quando analisamos a fundo as pesquisas, elas nos alertam que não existe, na verdade, uma racionalidade na hora da votação, e isso é um problema. Ser politizado é ser capaz de compreender a importância da ação política e de se tornar consciente dos deveres e direitos do cidadão. Em um regime democrático, temos apenas o momento da eleição para realmente condenar a corrupção sistêmica da forma mais eficaz possível. E ainda escolher o candidato mais competente na administração pública.

No Brasil o voto não está nas mãos da razão e sim da paixão. Uma escolha que deveria ser feita por meio de critérios técnicos carrega o tom de algo totalmente irracional. Então, no Brasil, a política se tornou uma conversa de botequim. Antes, falávamos de futebol e de ganhar dinheiro. Agora, falamos de política com mais frequência. Podemos perceber que o tema está mais na boca do povo, mas isso não quer dizer que o brasileiro tenha se tornado mais politizado. Ainda existe um longo caminho para que isso aconteça.
Samy Pinto – rabino


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