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Espaço do Cidadão – 12/08/2018

Espaço do Cidadão | 12/08/2018 | 04:50

Um país dividido

A pouco menos de dois meses do pleito de 7 de outubro, não se sabe quem se sentará na cadeira presidencial, mas um cenário já está bem definido: seja quem for o eleito, comandará um país rachado, com bandas em litígio. De um lado, grupos oposicionistas, alguns sob o “habitat” de partidos que se dizem de esquerda, outros impregnados por um discurso de cunho militarista, com foco na defesa da ordem, e uma terceira ala, cuja inspiração é a “real politik”, com o lema “Chegar ao poder a qualquer custo”.

A rigor, não se trata da versão clássica entre direita e esquerda, a partir da observação de que, após a queda do muro de Berlim, ficou difícil sustentar o escopo do socialismo clássico ou do comunismo, ainda mais quando o principal partido desse grupamento – o PT -, afundou-se no pântano da corrupção, flagrado, ao lado de outros, nos dois mais impactantes escândalos da atualidade: Mensalão e Petrolão (Operação Lava Jato). O cientista político espanhol Manuel Castells, no caderno “Aliás”, do Estadão, pontua que a nossa grande questão “não é mais o embate entre direita e esquerda, e sim de partidos democráticos (ainda que corruptos) contra uma coalizão neoautoritária apoiada por grupos de interesses ideológicos extremistas internacionais”.

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O fato é que estamos diante de uma paisagem devastada por granizos de ódio atirados reciprocamente por militantes e setores de classes médias, cada qual desfraldando bandeiras e palavras de ordem. Muitos defendem mudanças, não deixando ver, porém, pontos de vista sobre programas fundamentais, como as reformas política, fiscal-tributária e previdenciária, entre outras. O discurso do arquipélago petista fica nas generalidades: trabalhadores perderam direitos com a reforma trabalhista, a pretendida reforma previdenciária acabará com a classe trabalhadora, patati-patatá.

Diferenças se veem no campo das privatizações, quando o verbo passa a defender, sem restrição, o Estado paquidérmico, ocupado por militância sem mérito, como se viu nos 13 anos do petismo no poder. Na verdade, parcela do ódio destilado no meio social saiu do PT, cujo lema tem sido apregoado até hoje pelo comandante-em-chefe dos exércitos petistas, Luiz Inácio, e reverberado por generais de seu séquito. O lema, de todos conhecido, é “Nós e Eles”, apartheid social que divide bons e maus, bandidos e mocinhos. Quem se sente atingido por esse torpedo separatista, como as poderosas classes médias de São Paulo, faz soar por todos os lados muita indignação.

A tão almejada harmonia social não virá no primeiro ciclo do novo governante. Que deverá se preocupar com as condições de governabilidade necessárias para aprovar os programas do governo no Congresso. Só depois divisaremos paz social.

Gaudêncio Torquato – jornalista e professor titular da USP


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