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Espaço do Cidadão – 15/08/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 15/08/2019 | 04:00

O IMPACTO DA SELIC NA ECONOMIA
A taxa básica de juros, a Selic, foi cortada na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para 6% – foi o décimo terceiro corte no índice desde que a taxa chegou a 14,25% ao ano, entre julho de 2015 e outubro de 2016. Trata-se da mais baixa taxa de juros da história do Brasil com um objetivo bastante claro: reanimar a economia e incentivar o aumento dos investimentos, com a expectativa de que a medida possa se reverter em benefícios para a economia. Mesmo em seu patamar mais baixo, o mercado já precificou um novo corte para a Selic, estimando que possa atingir 5,75% até o fim do ano. O atual índice está 0,25% abaixo do que as projeções realizadas e, se forem comparados com outros países do G20, o Brasil está muito próximo das grandes economias mundiais: Estados Unidos, 2,25%; China, 4,35%; Índia, 5,75%; Rússia, 7,25%. Na comparação com outras economias da América Latina, a taxa mexicana é de 8,25% e a Argentina, de 55,99%. Em linhas simples, a Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Se essa taxa sobe, os juros de financiamentos, empréstimos e cartões tendem a ficar mais altos, o que reduz o ímpeto pelo consumo – e tende a reduzir a inflação. Por outro lado, como é o caso do Brasil hoje, a redução do valor de financiamentos, empréstimos e cartões tende a estimular o consumo sem necessariamente impactar em um aumento desordenado da inflação. Em junho, por exemplo, o IPCA fechou em 3,37% no acumulado dos últimos 12 meses, quase 1% abaixo da meta estipulada pelo governo, de 4,25%. O Produto Interno Bruto – O PIB – o total de riquezas produzidas por um país – é um dos principais indicativos do andamento de uma economia. O corte da taxa Selic visa justamente contribuir para este aumento produtivo. Nos últimos anos, as projeções realizadas pelo Banco Central (e diversas entidades independentes) estão sendo frustradas. Para 2019, por exemplo, o Boletim Focus do BC indicava uma expectativa de crescimento anual de 2,55% — em julho, a previsão já estava em 0,82%. Um dos fatores que afeta diretamente no PIB é o baixo consumo das famílias. Por isso, a Selic e o PIB estão, em tese, diretamente relacionados entre si. Trata-se de um círculo virtuoso: quanto maior o consumo, maior a produção industrial das empresas, reduzindo os estoques e dando sinais de que a retomada econômica está em andamento. O setor de serviços também é impactado, já que as próprias empresas e pessoas físicas têm mais confiança para investimentos e aportes de recursos. Por esse motivo, a queda da Selic pode ser considerada um passo importante em busca da retomada da economia do país. Em um cenário como esse, a taxa de desemprego também tende a se reduzir. Não à toa, os especialistas alegam que se trata do último indicador a melhorar em uma economia ainda anímica.
Patrick Silva

 


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