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Espaço do Cidadão – 16 de março de 2018

envie e-mail para opiniao@jj.com.br | 16/03/2018 | 02:00

A NOVA BNCC E A VELHA EDUCAÇÃO ESCOLAR: Sobre a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o que ela apregoa para o Ensino Médio (EM), eu não consigo ler nela nada que não seja uma nova fórmula disfarçada em tentativa de melhoria da qualidade da educação que o governo arranjou para continuar a produzir mão de obra barata e obediente nas escolas. Só que desta feita ajustada aos tempos modernos. Ao colocar no currículo do EM somente as disciplinas Língua Portuguesa (LP) e Matemática como obrigatórias, fica revelado nas entrelinhas que a intenção do governo não é formar nas escolas cidadãos pensadores e críticos, conforme preconizam outros documentos oficiais para a educação, como a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Por isso, fica subentendido também que a LP que se pretende ensinar será reduzida puramente à Gramática Normativa, não à língua portuguesa como o todo que é em seu uso. E a Matemática não deverá ensinar mais do que fazer cálculos básicos a partir de fórmulas memorizadas, requisitos mínimos exigidos para qualquer emprego hoje. A proposta de que todas as outras disciplinas serão divididas e trabalhadas por meio de áreas de conhecimento e de forma interdisciplinar traz para a sociedade a falsa sensação de uma educação moderna, contudo, é só mais uma forma de enganação do governo. Haja vista que nem a escola nem os profissionais da educação no Brasil, em sua maioria, estão preparados para trabalhar dessa forma e nem receberão dos governos federal, estadual ou municipal suporte ou formação continuada adequada para que essa transição ocorra com êxito. O aluno que optar pela área de Exatas, por exemplo, poderá não assistir às aulas de História, Geografia (Geopolítica), Filosofia e Sociologia, que trazem conteúdos e tratam de temas de extrema relevância para a formação de cidadãos pensadores e críticos. Por outro lado, se o aluno optar por Ciências Humanas, poderá não assistir às aulas de Física e Química, que não se resumem em fórmulas e cálculos, porque também trazem conteúdos e tratam de temas importantes para o entendimento da vida e de tudo que a envolve, sendo essas duas disciplinas, portanto, também relevantes para a formação de cidadãos pensadores. Minha leitura da reforma do EM prevista na nova BNCC me leva a entender que ela nada mais é do que uma dissimulação do governo federal para continuar a fazer aquilo que há muito vem fazendo pela educação no Brasil, nada além de formar mão de obra especializada na incapacidade de questionar seu emprego, empregadores, o governo e a sociedade. Mão de obra que agora é enganada sob os holofotes da modernidade.

Luiz Carlos dos Santos


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