Opinião

Espaço do cidadão - 17/08/2019


CÂNCER DE MAMA O câncer de mama não é uma doença simples: pode ser influenciado por uma série de características e fatores individuais, apresentando-se de diferentes formas; consequentemente, torna-se necessário adotar uma conduta terapêutica específica para cada caso. Como mastologista, encho-me de esperança ao ver o quanto a medicina tem avançado em relação aos tratamentos destinados a pacientes com câncer de mama. Nos últimos anos, tenho acompanhado estudos, análises e aprovações de novos medicamentos que buscam tornar a batalha contra a doença menos árdua, com menos efeitos colaterais e mais qualidade de vida. A aprovação dos inibidores de CDK 4/6 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), por exemplo, é uma conquista recente e motivo de comemoração. Essa classe de medicamentos tem um papel importante no controle da doença em estágio avançado, conhecido por metastático, e age especificamente na proteína que atinge as células cancerígenas, causando danos menores nas células saudáveis em comparação com medicamentos convencionais. Seus nomes são complicados - ribociclibe, palbociclibe e abemaciclibe -mas suas funções são muito certeiras. Imagine a sensação de ser um paciente com câncer de mama metastático e descobrir que, para o seu tipo de neoplasia em específico, foi aprovado um medicamento mais assertivo e que pode proporcionar mais qualidade e tempo de vida. Em suas veias, percorrem a vontade de lutar contra a doença e aproveitar ao máximo desde de que seja com máxima qualidade. Ter acesso a medicamentos inovadores de impacto comprovado, porém, é o grande desafio. Pode ser que levem meses ou anos para que os tratamentos sejam efetivamente disponibilizados na rede pública de saúde ou mesmo aceitos no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regulamenta os tratamentos oferecidos por planos privados. Por vezes, não é possível ter a dimensão real do desafio enfrentado pelas pacientes com câncer atualmente se você não lida diretamente com a doença. Por isso, queremos não somente munir de informações, mas também sensibilizar e empoderar a comunidade para fazer a diferença por influência em políticas públicas para que busquem soluções para enfrentar as barreiras de acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Pensando neste propósito, a FEMAMA desenhou a VIII Conferência Nacional de Lideranças Políticas Femininas, evento que será realizado em 23 de agosto, em São Paulo. Em conjunto com ONGs, representantes políticas de todo o Brasil poderão conhecer o atual cenário e desafios do combate ao câncer de mama no país e construir estratégias para obter impacto positivo em âmbito municipal e estadual. Maira Caleffi.

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