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Espaço do Cidadão – 17/10/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 17/10/2019 | 04:00

O CARDEAL DE APARECIDA
Uma das mais significativas participações nos eventos comemorativos do Quinto Centenário da Reforma Luterana, em 2017, esteve na edição de um opúsculo intitulado ‘Magnificat, o Louvor de Maria’, escrito pelo fundador, Martim Lutero, em 1521, refugiado no castelo de Wartburg, em Eisenach, depois de haver sido condenado no julgamento de Worms, pelo papa Leão X.

A obra de Lutero mereceu uma atenção especial do então cardeal arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis, que prefaciou e apresentou a edição conjunta da Gráfica católica ‘Editora Santuário’, com a editora luterana ‘Sinodal’, de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.

Há uma interessante introdução da autoridade eclesiástica de Aparecida, destacando a oportunidade de homenagear conjuntamente a devoção mariana da Basílica de Aparecida, o aniversário do último Concílio Ecumênico e os cinco séculos festejados em Wittenberg com as teses de Martim Lutero e o início do Protestantismo.

Simultaneamente, Dom Raymundo encarece as palavras de Lutero no comentário ao Evangelho de Lucas, 2, 46,e versículos seguintes, com o belíssimo Cântico da Virgem Maria. O prelado católico une-se aos comentários dos professores de Teologia no Sinodal, pastores Nestor Friedrich e Martin Dreher. Explicam o belíssimo cântico que revela o modo de vida cristã, segundo Lutero, que é, para Maria, a justificação por graça e fé, uma imagem ‘profundamente evangélica’.

Maria, ‘exemplo do agir de Deus na História’, nos é apresentada num livreto de cento e poucas páginas, como testemunha da vida a partir do Espírito Santo, do ‘mestre que ensina o valor dos humildes e a reprovação dos poderosos num plano de confiança e poder divino, com esperança e confiança na graça’.

Desde a conclusão e interpretação desse trabalho, enviado, de Wittenberg, por Martim Lutero, ao ilustríssimo e sábio Senhor da Saxônia, Príncipe João Frederico, em 10 de março de 1521, e considerado, pelo Pastor Martin Dreher, ‘um convite para o exercício político responsável’, cabe o aplauso e elogio ao posicionamento responsável e religioso do Cardeal Arcebispo, Dom Raymundo Damasceno, que, infelizmente, não se encontra mais no comando da prestigiosa arquidiocese, na qual hoje vemos, ao invés de posturas apostólicas, populismo demagógico.

PROFESSOR ANTÔNIO LUIZ GOMES é luterano, ex-teólogo jesuíta


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