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ESPAÇO DO CIDADÃO – 17/02/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 17/02/2019 | 04:00

MORAL E CIVISMO

Se um observador, de outro planeta, fosse indagado sobre o que seria mais importante a desenvolver na educação brasileira, certamente ele citaria a formação de fundamentos éticos, aliada a desenvolvido sentimento de patriotismo. Ou seja, Moral e Civismo, como objetivos primordiais.
Foi mais ou menos isso que o Ministro Ricardo Velez afirmou recentemente, causando pruridos escandalizados. Estaria, o responsável pela Educação nacional, contradizendo diretrizes e bases da mesma? Preconceitos ideológicos esquerdistas, ensinados nas faculdades, podem até sugerir essa atitude. Agora, porém, considero o paradoxo dessa atitude, se olharmos para a História e os fatos.
Por muitos anos lecionei Educação Moral e Cívica na rede estadual paulista. Tive a autorização com base na licenciatura em Filosofia, o registro docente de Historia e a especialização na Unicamp. No auge do regime político estabelecido a partir de 1964, a licença para lecionar devia ser anualmente renovada pelo DEOPS! Nunca fui barrado!…
Afinal, devia orientar meus discípulos no sentido de agir conforme a Ética, a Lei e a legítima cidadania. E aprofundar o conhecimento e a prática a propósito de símbolos e manifestações como fundamentos do patriotismo, caso, por exemplo, da Bandeira, dos Hinos, de situações legais estabelecidas na orientação do MEC através da Lei 5692/71, que tornava obrigatórios, em seu art.7-o, Educação Moral e Cívica, Educação Física, Educação Artística e Programas de Saúde. A veneração aos símbolos, o entusiasmo pela aprendizagem dos Hinos e sua execução por aqueles orfeões sonhados pelo grande Heitor Villa-Lobos, tudo isso decorria das determinações da Lei n.5.700/71.
Curiosamente, só por uma vez eu me senti vigiado e objeto de desconfiança, ao notar, numa aula do curso noturno no Colégio “Campos Salles”, alguns alunos que não constavam da lista! Eram vigilantes, censores, algo desse tipo! Contudo, não tive qualquer problema.
Agora o aspecto paradoxal é que os fiscais sinistros passam a alimentar a mesma desconfiança em relação à Moral e ao Civismo. Ela se repete na preconceituosa oposição esquerdinha aos valores da Educação nacional. Na verdade, as tiranias se identificam e unem. Mesmo que seja no último círculo dantesco do inferno!
Prof. Antônio Luiz Gomes


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