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Espaço do Cidadão – 17/03/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 18/03/2019 | 08:00

O DISCURSO DE ÓDIO E O ÓDIO DO DISCURSO
O atentado cometido em Suzano na última quarta-feira, dia 13 de março de 2019, entrará para a História como mais um ato de selvageria que, em última instância, reflete e evidencia a banalidade do mal que tem acompanhado a sociedade brasileira nos últimos tempos. Em tempos de imagens captadas por câmeras exclusivas de monitoramento assistimos, chocados, uma pessoa que não fazia parte da comunidade escolar, entrar naquele espaço, sacar sua arma e, de maneira covarde, começar a atirar a esmo, atingindo pessoas sem nenhum critério. Na sequência, seu comparsa adentra ao recinto para auxiliá-lo naquele estúpido derramamento de sangue inocente. Isso é tão insano e bárbaro que nos remete ao desejo de encontrarmos, pelo viés da razão, alguma explicação plausível para compreendermos minimamente aqueles atos ignóbeis. Diante do caos, necessitamos, urgentemente em meio à dor, pensarmos em saídas razoáveis para a situação tenebrosa da violência que nos assalta e traz desassossego. Precisamos lembrar que o poder nunca é propriedade de um único indivíduo, mas sempre de um grupo, que unido, pode preservá-lo. O poder que almejamos como sociedade unida é manter a vida com dignidade. A escola é um espaço de conflitos para onde geralmente escorrem as águas turbulentas da intolerância e da mediocridade que têm assolado a sociedade brasileira num radicalismo infértil, fato que impossibilita a construção de saídas para os problemas reais do nosso tempo. Tragédias como essa, viram pretexto para disputas engalfinhadas entre acólitos beligerantes, de direita e de esquerda, nas múltiplas redes sociais. Neste tipo de ambiente, o ódio do discurso predomina. Agora, vale frisar que isso não deveria ser feito por nenhum professor ou agente escolar, mas por um representante do Estado, que através da violência legítima, poderia impedir a propagação do mal banal naquele contexto. Escola não é bunker, não é fortaleza medieval e nem presídio, mas precisa se adaptar ao seu tempo. Na reconfiguração dos pactos sociais em tempos de violência e brutalidade, é necessário responder à altura. Somos obrigados a concordar com Hobbes que dizia que “pactos sem espada, são apenas palavras”. Infelizmente, em tempos sombrios como os nossos, a escola não está imune à violência e precisa se defender dentro da legalidade e das possibilidades que estão à sua disposição no momento. Na prática, um agente policial bem treinado poderia dirimir aquela violência toda, gostemos ou não desta ideia. Não se trata da glorificação da violência, mas de tentar contê-la dentro das condições do Estado Democrático de Direito. Não precisamos nem do discurso de ódio e nem o ódio do discurso, o que precisamos é de medidas efetivas e racionai! s para preservar as vidas das pessoas envolvidas na comunidade escolar como um todo.
Gerson Leite de Moraes


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