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Espaço do Cidadão – 17/05/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 17/05/2019 | 07:30

OLAVO E O ANTAGONISMO
Li uma notícia sobre professora de gramática, numa aula de cursinho, que atribuiu ao escritor Olavo de Carvalho o epíteto de “anta”, sob protesto dos alunos. Preliminarmente, condeno essa atitude que dirige uma “ofensa-tapir”ao pensador. Na verdade, a docente, que deveria ensinar gramática e não política, certamente ignora que, há mais de dez anos, foi publicado livro, escrito por Diogo Mainardi, sob o título “Lula é minha anta”! Portanto, reprove-se o achincalhe da presumida professora como repetitivo e desonesto!

Olavo de Carvalho passou a residir nos Estados Unidos, assim como Paulo Francis, da “turma do Pasquim”, mantendo contatos com o Brasil por meio de escritos e entrevistas. Na segunda coletânea de seus escritos, Olavo homenageia Paulo Francis com dedicatória no prefácio de seu “Imbecil Coletivo”. Parece um tanto exagerado qualificar Olavo como “filósofo”, embora sua obra nesse campo, “O Jardim das Aflições”, análise histórica do pensamento humano a partir de Epicuro, mereça ser lida, estudada e assistida em cinema no filme homônimo.

Olavo desenvolve seu pensamento, crítico e sagaz, em inúmeras crônicas publicadas desde o século passado, em jornais e revistas, sendo recomendável ao leitor incipiente o livro com a organização e apresentação do jornalista Felipe Moura Brasil (Editora Record) sob critérios temáticos e um título exótico: “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”!

Recomendo ao leitor os artigos dos subtítulos “Juventude, Conhecimento, Vocação, Cultura” , ressaltando uma crônica publicada na revista “Bravo”, em novembro de 1997: “A mensagem de Vitor Frankl”. Aborda o pensamento do cientista, neurologista e psiquiatra judeu Viktor Emil Frankl, e sua terrível passagem pelo campo de concentração de Theresienstadt. Além desta, uma farta coleção de escritos agrupados, em mais de 600 páginas, pelo redator e jornalista Felipe Moura Brasil.

Fazendo eco a tantos pensadores que condenam a bestialidade massificante, Olavo publica uma segunda coleção de escritos destinados ao pensamento crítico sobre a realidade brasileira. O título sacode as convicções: “O imbecil coletivo”!… De qualquer forma, fica ressaltada a injustiça do antagonismo expresso por uma professora de duvidosa competência, conforme descrito no início desta crônica.
Antônio Luiz Gomes


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