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Espaço do Cidadão – 17/11/2018

LEITOR | 17/11/2018 | 04:00

UNIVERSIDADE SEM PARTIDO: Um olhar para a História brasileira traduz aquilo que mais preocupa: são utilizados nossos alunos como massa de manobra de políticos envolvidos com ideologias estranhas à tradição democrática. A maré socialista que atravessou os limites do muro de Berlim para todo o Ocidente causa preocupação de muitas famílias a propósito da educação de seus filhos. Daí o movimento, hoje crescente, por uma “Escola Sem Partido”. Parece-me não ser essa a melhor saída, e sim, uma proposta do filósofo Olavo de Carvalho: “Escola com todos os Partidos”!

Num cenário de politização inevitável (lembremos, por exemplo, a Revolução Paulista de 32, iniciada no XI de Agosto) caberia aos docentes orientar sobre todos os possíveis rumos. Nas décadas de 60 e 70, principalmente sob o governo Médici e o AI-5, estive na PUC- SP, em cursos de especialização. Ali participamos de excelentes palestras, como as de Fernando Azevedo e Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde). O movimento estudantil chocava-se contra imposições autoritárias. Um exemplo curioso foi a preocupação do reitor, Mons. Enzo Azzi, em fazer com que os irrequietos universitários votassem nas eleições estudantis!

Todavia, ao cursar pós-graduação na Unicamp, na década de 80, não senti o mesmo que alguns hoje testemunham – doutrinação fanática e fascista das ideologias de Marx, Engels, Gramsci e Foucault, imposta e pichada com bestialidade nas paredes do ninho universitário. Os docentes do nosso Curso, na área de Educação, revelaram competência na orientação da pesquisa. Por exemplo, o professor Newton Aquiles von Zuben, cujo estudo sobre os livros do judeu Martin Buber (nós lemos e traduzimos o “Je et Tu”) seria mais um convite à espiritualidade do que à revolução! O catedrático em Educação, professor Dermeval Saviani, orientou-nos por um ótimo viés histórico das reformas pedagógicas, a partir a renúncia de Jânio.

E Antônio Joaquim Severino foi o Doutor da Metodologia de Pesquisa, sem qualquer ranço de marxismo ou da Escola de Frankfurt! Na década de 80, porém, houve um exemplo ridículo de doutrinação bolivariana, dentro da Unicamp. Terminava sua brilhante palestra o saudoso Prof. Maurício Tragtenberg. Depois dos aplausos, levantou-se um dos ouvintes e gritou, com sotaque latino: “Brassil necessita de lucha armada!”… Depois de súbito e silencioso espanto, a reação foi bem brasileira: uma estrepitosa gargalhada!.

Professor Antônio Luiz Gomes

CORREÇÃO: Sobre a matéria “Financiamento de carro volta a crescer nos últimos meses”, publicada na quinta-feira (15), a Finamax ratifica que trabalha com uma taxa que gira em torno de 1,7% a 1,8% e não 5,7% a 5,8%, como foi dito na reportagem.
Da redação


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/espaco-do-cidadao-17112018/
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