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Espaço do Cidadão 18/04/2018

LEITOR | 18/04/2018 | 03:00

CARTA-RESPOSTA A DONA LUDMILLA, DIRIGENTE DE ENSINO DE JUNDIAÍ
Nós, professores da escola Maurílio Tomanik, vemos a público repudiar as declarações da senhora dirigente de ensino D. Ludmilla, que no afã de livrar a si e a seu patrão, o governo do estado, das responsabilidades por todo o desmonte porque passa a educação, se arvorou inconsequentemente em culpar a nós professores e à diretoria pelos distúrbios ocorridos recentemente.

Ora, todos sabemos que a nossa escola e seus profissionais sempre sofreram coma carência e o abandono por parte do governo e da diretoria de ensino, funcionamos há anos sem o mínimo de infraestrutura, funcionários de limpeza, inspetores e pessoal de secretaria, sem nem sequer uma quadra para a prática de esportes, cabendo a nós professores fazermos o papel desses profissionais e até mesmo de pais dos alunos. Isso dada à grande omissão deles no acompanhamento da educação de seus filhos.

Nunca esta escola foi vista como prioritária, nunca teve a atenção necessária por parte desta Diretoria de Ensino (DE). Era óbvio que o que aconteceu já era esperado, pois vivemos literalmente todos os dias numa panela de pressão (haja visto o “buraco” em que nossa escola foi posta) pronta a explodir a qualquer momento. Ao pedirmos ajuda a dos profissionais da DE esperávamos que viessem a nosso favor para conjuntamente fazermos aquilo que, sozinhos, já estamos fazendo há anos, mas o que se viu não foi a preocupação em buscar respostas e soluções, mas a sede em encontrar culpados e dessa forma jogar a sociedade contra os poucos profissionais que lutam incansavelmente pelo bem daquela escola.

A senhora Ludmilla poderia descer do alto de seu salto e arrogância e tentar viver pelo menos uma semana as nossas necessidades e agruras, que vivemos o ano todo para dar o mínimo de educação decente para quem mais precisa. É preciso mais prática e menos teoria para que possamos retomar o pulso da situação e devolver aos professores a autoridade que lhes foi tirada, onde “menores” que fisicamente são maiores que seus mestres “pintam e bordam” impunemente dentro de uma escola nada atrativa, prejudicando assim o direito de quem realmente quer estudar.

É mister salientar que, qualquer que seja a transformação através da Educação, passa obrigatoriamente pela mão do professor. Isto posto, é preciso que haja, e esperamos todos, uma retratação por parte de vossa senhoria, isto é, claro, se houver em vós o mínimo de dignidade e decência.
Equipe da escola Maurílio Tomanik


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