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Espaço do Cidadão – 18/10/2018

LEITOR | 18/10/2018 | 04:00

O PARTIDO DO CIRO: Se o presidente Getúlio Vargas ressuscitasse (como sugeriam seus adversários políticos em 1954) provavelmente teria um ataque cardíaco diante do enorme número de partidos hoje existentes! Quando Vargas chegou ao Catete com seu grupo tenentista, pondo fim ao governo de Washington Luiz, a República se apresentava com adeptos, ou de maior conservadorismo ou de maior populismo.

Getúlio iniciou seu governo com viés autoritário e teve de enfrentar a reação republicana dos paulistas, em 1932. Durante a década de 30, comandada pelo simpatizante do nazismo Felinto Muller, a segurança de Vargas sufocou movimentos dos partidos comunista e integralista. Ao final do Estado Novo, em 45, cristalizavam-se faixas partidárias que embasavam as principais candidaturas: Marechal Eurico Dutra, Brigadeiro Eduardo Gomes e candidatos menores como Yedo Fiuza e Plinio Salgado.

Entretanto, é na campanha de 1950 que se apresentam partidos como a UDN (União Democrática Nacional), PSD (Partido Social Democrático) e PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). A eles pertencem, respectivamente, Eduardo Gomes, Cristiano Machado e Getúlio Vargas. Este, retornando do Sul, voltava para competir e ganhar. Surgia, no anedotário popular, a sátira para as siglas: UDN PSD e PTB: “Um de nós poderá ser derrotado pelo terrível baixinho”. Seria a conversa dos dois candidatos e em alusão à estatura do senador gaúcho! Mas também ilustra a carreira vitoriosa e trágica do ditador Vargas e do partido que o apoiou, o PTB.

Nas décadas seguintes, o PTB teve a liderança de Leonel Brizola. Outro gaúcho que cavalgou na popularidade, até ser reformado o sistema partidário. Ali, a sobrinha de Getúlio, Ivete Vargas, astuciosa, tomou para si a legenda. Foi um golpe para Brizola, gerando a piada naquela ocasião, pelo sucesso de uma música popular: “Você abusou, tirou partido de mim, abusou!”…

O fato é que Brizola encontrou saída numa nova sigla e nova ideologia: o PDT (Partido Democrático Popular). Bons resultados do partido devem ser creditados, principalmente, ao maragato dos Pampas. Com seu desaparecimento, a continuação da sigla configurou campanhas de centro-esquerda. Espertamente, Ciro Gomes (não é meu parente!) soube tirar proveito do PDT roubado e recuperado pelo Brizola! E a propósito cabe indagar: quem matou o vereador venezuelano Fernando Albán?
Antônio Luiz Gomes – professor


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