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Espaço do Cidadão – 18/11/2018

LEITOR | 18/11/2018 | 04:00

NÓS CONTRA ELES – OU TODOS NÓS JUNTOS? Entre o monte de bobagens que circulou durante a campanha eleitoral, chamou minha atenção a citação (e gostei), infelizmente não identificada: “Não eduque seu filho para respeitar gays, negros, brancos, índios. Eduque seu filho para respeitar o ser humano. Assim você não precisará dar explicações sobre as características e as escolhas de cada um”. A mensagem é mais longa, mas o principal é que se opõe ao “nós contra eles” que por anos contaminou o Brasil. Enquanto em outros países os imigrantes se reúnem em guetos, nós brasileiros temos tanto orgulho daquele bairro comercial paulistano onde convivem judeus e árabes.

Tantos casamentos e namoros inter-raciais. A influência africana na música, tão alegre e envolvente. Migrantes de países mais cultos, acolhidos e enriquecendo nossos costumes e cultura. Nossa língua portuguesa “amaciada” pela influência de tantas outras e cheia de sabor pelas palavras exóticas que a enriqueceram. Quando vejo cada “segmento” pedindo holofote, como se merecesse mais do que o resto da humanidade, disputando o troféu de coitadismo, lembro daquela estorinha que aprendíamos nas aulas de leitura, do pai que comparava a família unida a um feixe de gravetos, cada um frágil, mas que juntos eram inquebráveis. Vamos juntos ficar atentos a rebater cada ato de bullying, seja ele agressivo, seja de humor grosseiro, seja tão sutil que é quase automático.

Qualquer preconceito, contra qualquer diferente, seja criança ou adulto: o magrelo e o balofo; o sem graça ou mesmo feio; o tão lindo que fica bobo de vaidoso; o tímido e o que fala demais; o “negro” e o tão branco que parece doente; o apático e o fanático; o meio burrinho (a culpa não é dele!) e o inteligente metido; o menino que só pensa em paquerar as meninas e aquele que mal disfarça sua quedinha pelo amigo; o gay discreto e o drag; o casal homossexual estável e o gay que parece interessado no seu marido; o rico ostentador e o pobre mal vestido; a pessoa de mau gosto e a fútil que só pensa em moda.

A lista é comprida e quase ninguém escapa, ou seja: cada vez que a gente combate o preconceito, aceita o “diferente”, está se protegendo também. Em vez de acalmar a consciência com cotas variadas, vamos batalhar com afinco para melhorar o ensino para todos; que a indústria de roupas ofereça coisas bonitas para gente gorda; que as lanchonetes se preocupem com comida saudável; que ninguém ridicularize gente velha que quer continuar ativa; que a gente se esforce pra não achar a priori que cada rapaz magrelo e de boné é um drogadito batedor de carteira; pra não acreditar que o praticante da outra religião é “do mal” e vai direto pro inferno! Que palavra doce: tolerância. Sem animosidades, vamos seguir todos juntos, não nós contra eles. Ainda é tempo!

Silvia C.r. Vasconcellos


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