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Espaço do Cidadão – 18/12/2018

LEITOR | 18/12/2018 | 04:00

O BRASIL E A NOBRE MISSÃO DE ALIMENTAR O MUNDO: Alimentar a crescente população mundial de forma sustentável é o maior desafio de países com vocação para produção, como o Brasil. Mas não basta ter oferta suficiente. É preciso produzir mais com menos, garantindo a segurança alimentar. Segundo a FAO, órgão da ONU para a alimentação, o número de pessoas atingidas pela fome em nível mundial diminuiu em mais de 100 milhões na última década, mas há ainda cerca de 805 milhões famintas – ou seja, um de cada nove habitantes do planeta não tem alimentos suficientes. O desafio é real e imediato. Há 10 mil anos, éramos 1 milhão de habitantes no planeta. Em 1800, ou seja, há pouco mais de 200 anos, chegamos a 1 bilhão de pessoas. Em 1970, 50 anos atrás, portanto, atingimos 3 bilhões de bocas. Agora, somos mais de 7 bilhões de pessoas, e em 2050, nossos filhos e netos estarão em um planeta com outras 9,8 bilhões de pessoas. O agronegócio representa 22% do PIB brasileiro. Entre 1997 e 2017, a produção de carne suína saltou de 1,5 para mais de 3,8 milhões toneladas: mais que dobrou. A carne bovina também cresceu de forma significativa: de 6 para 9,5 milhões de toneladas. E a produção de carne de aves saiu de 4,4 para 14 milhões de toneladas. Triplicou em apenas 20 anos.
Há no mundo apenas três países (Estados Unidos, China e Brasil) com área total acima de 5 milhões de km2, PIB anual maior que US$ 1 trilhão e população superior a 150 milhões de habitantes. Estados Unidos e China estão localizados no hemisfério norte, com limitações climáticas para a agricultura durante vários meses no ano. A temperatura anual média na China é de 7°C e nos Estados Unidos, 8,5°C. O Brasil, ao contrário, com temperatura média de 25°C, tem disponibilidade de água e sol, o que nos dá condição única para maximizar o uso da terra na produção de alimentos. No complexo carnes não é diferente. O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e carne de frango e o segundo maior produtor em ambas as atividades. Em carne suína, estamos conquistando mercados de forma acelerada. Já somos o 4º em produção e em exportação, com muito espaço ainda para crescer. Em ovos e leite, ainda não temos participação relevante no mercado mundial, mas somos o 7º maior produtor mundial de ovos e o 4º maior de leite. Mas cada vez será mais difícil crescer, seja por barreiras comerciais protecionistas ou mesmo sanitárias. A sanidade, aliás, é outra vantagem competitiva do Brasil, um país sem vaca louca e sem influenza aviária, mas que deve redobrar a atenção para que não sejamos impactados por ocorrências que podem ser prevenidas.
Rodolfo Vieira


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