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Espaço do Cidadão – 20/10/2018

LEITOR | 20/10/2018 | 04:00

FÁTIMA, NUNCA MAIS? No ano de 2017, católicos e luteranos festejaram centenários. Em 17 de outubro, os devotos de Nossa Senhora de Fátima lembraram as aparições que tinham ocorrido em Portugal, a partir de maio de 1917. E um grande número de evangélicos, seguidores da Lutero, visitou a Igreja do Castelo, em Wittenberg, na Alemanha, no Quinto Centenário da Reforma Protestante.

Neste 2018, dediquei-me a examinar uma publicação encontrada na capital alemã, adquirida em Berlim há quase uma década, quando visitava meus familiares. Na livraria que vende obras do idioma lusitano, na Linienstrasse, centro de Berlim, adquiri o livro “Fátima nunca mais” escrito pelo padre Mario de Oliveira. Fiquei surpreso com a linguagem ácida e negativa em relação às aparições, à participação das crianças, Lúcia, Jacinta e Francisco e aos interesses das autoridades eclesiásticas.

Notei que o contexto das afirmações exaradas pelo sacerdote do Porto revela espírito crítico pouco idôneo e muito mais afinado com uma linguagem “teológica”, comprometida com a filosofia marxista, do que com as cuidadosas análises do Vaticano.  Evidentemente, uma postura crítica diante dos fenômenos narrados pelos videntes, por exemplo, a célebre “dança do sol”, deve ser colocada dentro de neutralidade científica. Digamos que um especialista, como meu colega de Friburgo, o padre Quevedo, admitisse uma hipótese de “alucinação coletiva” com base em estudo de Parapsicologia. A exaustiva verificação de fatos e depoimentos revelou que os motivos devocionais, acima de qualquer verificação científica, atraíram milhões de fiéis para Leiria.

É vergonhosa, contudo, a posição desse padre Mario diante das multidões de Fátima. Ele adota um discurso típico dos “teólogos da libertação”, exaltando a motivação econômica, social e religiosa nos termos da ideologia marxista, que vinha da Rússia exatamente no mesmo ano em que a Mãe de Deus orava, sobre azinheira de Leiria, acenando pela conversão do país. A Rússia de Lenin exatamente naquele ano, em outubro, veria o recrudescer da avalanche comunista.

Ora, o tal clérigo Mário explora as condutas da hierarquia portuguesa e do Vaticano como cúmplices de uma preparação para uma ditadura fascista! Inventa que a “farsa de Fátima” foi montada para que os líderes da Pátria e da Igreja, o ainda estudante em Coimbra Antonio de Oliveira Salazar, e o futuro cardeal arcebispo lusitano, Manoel Gonçalves Cerejeira, assumissem o comando capitalista e reacionário da Nação! Após 100 anos, pode-se concluir que a mentira espalhada pelos falsos pregadores da “libertação marxista” ainda tem raízes fincadas em mentes crédulas. Por aqui, ainda existe uma pregação socialista e despótica, que desvirtua até mesmo o sentimento religioso da população brasileira, em nome de uma “Fátima, nunca mais”!
Antônio Luiz Gomes – professor


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