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Espaço do cidadão – 21/04/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 21/04/2019 | 04:00

ISRAEL E A NOSSA PÁSCOA
Nos bons tempos em que a Liturgia da Semana Santa era em Latim (ainda que não o fosse a joia espiritual que é a Paixão segundo São Mateus, de Bach, num erudito alemão!), o ritual da Quarta-Feira Santa transcorria em total silêncio, rompido somente pelas palavras e cantos sacros, além dos toques secos da denominada “matraca”. Cantava-se no idioma romano toda a Paixão segundo Mateus, primeiro dos quatro evangelistas. Nos dias seguintes, de quinta a sábado, seria a vez dos subsequentes Marcos, Lucas e João.
Pois as Vésperas da Quarta Feira de Trevas mencionavam a escuridão real e simbólica da morte do Redentor, num cenário que pode ser revisto no ensanguentado filme “Passion”!(do Mel Gibson). Uma das antífonas descrevia: “Tenebrae factae sunt dum crucifixissent Jesum JUDEI…” Ou seja: “A terra se cobriu de trevas (fizeram-se as trevas) quando os JUDEUS (destaque no maiúsculo) crucificaram Jesus!”… Essa maldição repercutiu por séculos contra os descendentes de Davi, até que os ventos da abertura ecumênica, no Vaticano, trouxessem decisões dos Papas cancelando tais referências, como, por exemplo, uma narrativa que atribuía o sofrimento de Cristo “aos pérfidos judeus”. O povo hebraico sofreu escárnio, rejeição, dispersão e até os criminosos Holocaustos perpetrados pelas ditaduras nazista e estalinista. Mas o paradoxo desse povo que abrigou a mensagem do Cristo Salvador, sua Encarnação, Vida, Sofrimento, Morte e Ressurreição, se encontra exatamente nessa diáspora dos descendentes de Davi e Salomão, lembradas nas comemorações, até mesmo nos povos que não professam a crença cristã. Comunidades hebraicas revivem seus rituais próprios, como o Yom-Kippur, pari passu com diversos grupos religiosos, na própria Terra Santa, ou em outros pontos do planeta. Nada mais justo e oportuno do que exaltar valores do Cristianismo dentro de um País no qual esta Fé encontra sua origem histórica e sua evolução política. O gesto do Presidente Jair Bolsonaro, visitando Jerusalém e deixando ali o bilhete de sua crença e devoção é a tradução, em termos cristãos, do apelo à Unidade contra as tentativas de aniquilamento do povo israelita, repetidas antigamente por inúmeras Páscoas.
Antônio Luiz Gomes

PREÇOS X CONSUMO
Mesmo com os preços de legumes, bacalhau e outros itens muito consumidos na Páscoa nas alturas, conforme mostrou edição do JJ esta semana, os supermercados da cidade estavam lotados na véspera da Sexta-feira Santa. De carrinhos cheios, consumidores driblavam a crise para garantir a mesa cheia nas comemorações. Amém.
Mário de Genaro.

ESPACO DO CIDADAO


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