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Espaço do Cidadão – 25/01/2019

LEITOR | 25/01/2019 | 04:00

Meu nome é Marcel Grinzati Martins, 55 anos, engenheiro civil, e como morador do bairro Jardim Brasil gostaria de externar minha opinião frontalmente contrária à do meu estimado, amigo e vizinho Sr. Antonio José Gropello conforme segue:

Entendo que lei do plano diretor de uma cidade não deve acompanhar as demandas comerciais, mas sim disciplina-las e sempre priorizando os anseios da população que vive no local.

Entendo também que o Jardim Brasil poderia ter destino diferente da chácara urbana, se a prefeitura atuasse forte para impedir o avanço comercial e também se os moradores mais antigos e que não desejassem mais residir em suas mansões aceitassem em vende-las ao preço de mercado como residência para que outras famílias possam residir no local e assim renovar o bairro não decretando assim a sua morte conforme parte dos moradores estão querendo ao aderir a reclassificação do bairro almejando aluguel ou venda comercial.

Lembro que bairros comerciais sem residências levam a locais sem vida e inseguros e cito como exemplo o centro das grandes cidades, porém o mesmo não se aplica para bairros residenciais sem comércio, sendo que atualmente muitos municípios, visando a revitalização estimulam a aprovação de projetos residenciais nos grandes centros urbanos, porém parece que nós vamos na contramão dos ensinamentos .

Obviamente que a minha solução a quem não queira mais morar no bairro, para a venda ou aluguel do imóvel como residência para outras famílias não é a mais vantajosa financeiramente, porém acredito que não devemos só pensar no financeiro, mas também na função social que temos com os demais moradores e creio que no Jardim Brasil ainda existem muitas famílias com o objetivo de moradia assim como eu.

Mudei-me para o bairro em 2003, com o objetivo de neste local viver com minha esposa e dois filhos e assim o fiz até o dia de hoje, portanto conheço parte da história do nosso querido Jardim Brasil.

História esta que começou a mudar quando a administração municipal gestão 2009 – 2012 demorou a tomar providências pela não instalação da clínica na Rua Joaquim P. Oliveira, 202 e aprovou no apagar das luzes o megaempreendimento “Golden Office” com mais de 300 salas de escritório e 60 lojas – um verdadeiro shopping construído ao nosso lado sem ao menos exigir um estudo de impacto de vizinhança e contrapartida.

Na sequência não pedimos a prefeitura o fechamento do bairro conforme o Sr. Gropelo afirma, mas tendo em vista o início das atividades do prédio Golden Office, a prefeitura na gestão 2013 – 2016 ofereceu a construção das atuais barreiras viárias para proteger nosso bairro do intenso movimento, porém gerou insatisfação de alguns moradores e também de cidadãos que fugindo do trânsito da Av. Antonio Segre cruzavam o bairro em alta velocidade.

Atentem-se ao fato de que nossos problemas intensificaram quando da aprovação deste megaempreendimento – Golden Office nas fraldas do nosso bairro sem preocupar-se conosco, e agora somos chamados a dar uma solução.

Infelizmente, vejo nosso bairro dividido e a gestão atual com tendências em apoiar as mudanças para pior, é uma pena! pois não quero lucrar com a venda ou aluguel de minha casa, só quero morar com minha família no Jardim Brasil e ter vizinhos.


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/espaco-do-cidadao-25012019/
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