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Espaço do Cidadão – 26/06/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 26/06/2019 | 04:00

SENADO E POVO BRASILEIRO
Instituição política das mais antigas, o Senado representava autoridade e tradição no Império Romano. Nele estavam os mais antigos e competentes políticos do Poder, estabelecido graças ao expansionismo militar que conferiu a Roma um domínio universal.

Os desfiles da força militar não excluíam a presença do povo (excetuados, evidentemente, os escravos…) e tinham como “comissão de frente” um mastro com as iniciais “SPQR”, ou seja, “Senatus Populus Que Romanus” (o Senado e o Povo Romano). Tal proposta democrática deveria prevalecer nos dias de hoje, naquele recinto de Brasília. Recentemente e pretensiosamente transformado em comissão julgadora de juízes!…

O dantesco espetáculo de nove horas de interrogatório, imposto por novos” catilinas” ao competente juiz Sergio Moro, me representa um cenário semelhante ao dos séculos do nascimento de Cristo, em que se travou, no Senado romano, a batalha jurídica liderada pelo orador Marco Tulio Cícero, contra o revoltoso Lúcio Catilina. Este ameaçava o sistema e a ordem pública, apresentando-se armado e desaforado, diante do plenário. Torpedeado por uma sequencia de quatro discursos ciceronianos, conhecidos como “Catilinárias”. “Até quando abusarás de nossa tolerância? Quamdiu enim furor iste tuus nos eludet?” (ou seja, por quanto tempo este teu surto de ódio nos enganará?) A força da palavra, em Cícero, valeu para libertar Roma daquele perigo anarquista!… Marco Tulio Cícero recebeu, de seus correligionários, o título de “Pai da Pátria”, ainda no primeiro século antes de Cristo.

Todavia, nem tudo, no desempenho do ilustre orador, foi absolutamente correto. Cícero esteve, por muito tempo, ausente da tribuna; mas a ela retornou (para aflição de todos nós, alunos do Clássico, enredados no Latim dos romanos). E justificou-se, depois de um “diuturni silentii”, um longo silêncio, para defender um réu que havia assassinado seu rival, Clódio, em plena estrada romana. Nesse discurso em que enaltece as qualidades de seu protegido, Milão (trata-se do “Pro Milone”), Cícero apresenta uma lição de Direito e Retórica, certamente desconhecida de muitos dos que roubaram nosso preciosos tempo, televisionado e comentado. Nada tiveram ver, com o talento do orador romano, a arrogância e o atrevimento desses “Catilinas”, tentando desqualificar um inatingível Juiz. Pois a História tem muitas lições, que os maus alunos do “Senatus Brasiliensis” não conseguiram aprender…
Prof. Antônio Luiz Gomes (para o J.J.)


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