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Espaço do Cidadão – 26/07/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 26/07/2019 | 04:00

LIÇÕES DA BASTILHA
Há cerca de 10.000 anos o ser humano começou a vivenciar um momento importante no que diz respeito à sua organização social. O domínio das técnicas de plantio e a domesticação de animais foi permitindo a sua fixação e o consequente fim da vida nômade. A Revolução Agrícola criou as condições para o surgimento do que chamamos de civilização: uma estrutura social cada vez mais complexa e que possibilitou a transformação da existência humana em todos os seus aspectos. Um ponto importante a ser destacado sobre a trajetória humana desde então é que ela não ocorreu de forma linear entre todos os povos que foram, progressivamente, ocupando o globo terrestre. As características e as particularidades de cada região apresentaram diferentes desafios para cada grupo humano, resultando em distintas formas de organização social e, em estruturas culturais absolutamente diversas. Um traço comum em todos os povos foi a prática generalizada da escravidão e da servidão. Pelas mais diversas razões ou sob as mais variadas justificativas, alguns grupos, controladores ocasionais de algum tipo de poder, sentiam-se no direito e tinham força para submeter outros grupos ao seu domínio. A civilização criou condições para impedir o exercício da liberdade de uma boa parte dos indivíduos. A prática da escravidão e da servidão era legal, legitimada e moralmente aceita pelas sociedades e foi elemento constitutivo em quase todas elas ao longo da história. Somente no século XVIII, alguns movimentos foram capazes de promover mudanças na estrutura social que possibilitaram, do ponto de vista formal, a afirmação universal dos princípios da liberdade e da igualdade entre todos os seres humanos. Entre os movimentos daquele século, a Revolução Francesa se destaca como um dos mais importantes. Influenciada pelos ideais iluministas, esta revolução guiou-se pela conquista da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A tomada da Bastilha (uma fortaleza usada como prisão), em 14 de julho de 1789, constituiu-se como um marco do movimento francês. A partir de então, o curso em direção às mudanças tornou-se irreversível e, no dia 26 de agosto, a Assembleia Nacional aprovou a Declaração dos Direitos do Homem e Cidadão. Decorridos pouco mais de 200 anos do movimento francês, parece que as sociedades ainda não conseguiram assimilar o exato significado e a importância daquelas conquistas. Vários acontecimentos no mundo todo têm passado a ideia de que práticas antigas de intolerância e discriminação são naturais. Certamente, ainda temos um longo caminho a ser percorrido para construir uma sociedade mais justa, mas um passo fundamental para essa jornada é a aceitação das nossas diferenças.
Edi Aparecido Trindade


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