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Espaço do Cidadão – 26/04/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 26/04/2019 | 04:00

IGREJAS ATINGIDAS
O dia 1º de Maio registra diversas comemorações, dentre as quais a lembrança de uma tragédia ocorrida há um ano, conforme anúncio de “Culto Memorial” sobre o desabamento do edifício Wilton Pais de Almeida, atingindo a Igreja Martin Luther, na Av .Rio Branco, proximidades do Largo Paiçandu, na capital paulista. Um culto religioso a recordar, nessa manhã do primeiro de Maio, o apocalíptico evento, de pedras, vigas e fogo, ceifando vidas e destruindo tesouros da História. Ocorrido em plena madrugada, o incêndio resultou do acúmulo de detritos e problemas da eletricidade num amontoado de cubículos onde se alojavam pobres moradores de rua, explorados por falsos líderes políticos que deles cobravam escorchantes alugueis e tornavam inóspita a região no entorno, dificultando intervenções da Municipalidade.
A centenária igreja luterana, fundada em 1908 pelos alemães da capital paulista, teve como primeiro mestre o Pastor Emil Bamberg e um início humilde, realizando suas atividades religiosas até mesmo em locais cedidos, como a Farmácia da rua São Bento, propriedade de Henrique Schaumann. Construídos a nave e a torre, instalaram-se ali o carrilhão e um magnífico órgão de tubos, da marca Walker. Pode-se dizer que um verdadeiro milagre protegeu essas peças, assim como o altar principal, o púlpito, a pia batismal, todo o átrio que cerca o altar, com os vitrais da Anunciação, Paixão e Ressurreição e o crucifixo do altar-mor. O desabamento atingiu de forma violenta a nave da igreja, seu centro, destruindo os bancos e até mesmo o solo e as instalações hidráulicas.
Impossível não relacionar, na memória, os fatos que levaram ao desastre, na Igreja Luterana de Av. Rio Branco, com a tragédia que recentemente atingiu a belíssima Catedral de Notre-Dame, em Paris. A dor que afligiu os católicos franceses nos momentos terríveis do incêndio equiparou-se ao sofrimento dos evangélicos paulistanos, há um ano. Ainda que se possa lembrar também o recente massacre ocorrido no Skri Lanka, causa revolta notar a indiferença materialista de políticos que desprezam o sentimento religioso e até o agridem, como os tais “coletes amarelos” que deveriam estar rubros de vergonha, em sua censura aos franceses e ao presidente Makron pela recuperação do patrimônio histórico e espiritual.
Na reconstrução dos templos atingidos, os cristãos de São Paulo e de Paris representam uma religião viva e atuante, capaz de enfrentar e sufocar a falsidade dos que destroem as tradições e valores de nossas Pátrias.
Antônio Luiz Gomes


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