Opinião

Espaço do cidadão - 27/08/2019


PEDAGOGIA DA FELICIDADE Com manifestações expressivas nas universidades de Harvard e Yale, nos Estados Unidos, um fenômeno que tem chamado atenção de estudiosos e do público em geral é a busca por cursos que ensinam felicidade. Essa busca tem sido maior do que para cursos que oferecem a possibilidade de uma carreira profissional de reconhecimento e sucesso financeiro. Não por acaso, um dos temas marcantes de toda a história da filosofia é o da felicidade. Desde o surgimento da filosofia no ocidente e mesmo antes disso, pensadores de todos os tempos dedicaram-se a essa questão em algum momento ou ao longo de sua trajetória de vida. Pela sua relevância histórica e social e ao mesmo tempo por sua importância subjetiva, o tema ‘felicidade’ desperta interesse ontem e hoje. Mas seria a felicidade um comportamento ou estado de espírito passível de ser ensinado? Filosoficamente, a felicidade pode ser compreendida como um estado de satisfação e realização. Estar feliz equivale, portanto, a sentir-se satisfeito, realizado. Embora tal satisfação não tenha uma duração permanente, são as experiências de momentos felizes que conduzem ao desenvolvimento de uma vida feliz, ou seja, uma vida realizada. Epicuro (341-270 a.C) inicia a Carta a Meneceu, mais conhecida como Carta sobre a Felicidade, com uma exortação ao exercício da filosofia, atividade que tem como finalidade tornar feliz o homem que a pratica. Assim, se alguém acredita que ainda não chegou ou que já passou o momento de se dedicar à filosofia, é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou o momento de ser feliz. Não raro, existe uma discrepância entre o modo de compreender a si mesmo e o mundo no qual se vive com a realidade concreta da vida. Por exemplo, podemos considerar que para sermos mais felizes é necessário ficar mais tempo com a família e amigos, mas quanto isso se torna possível? De um modo geral, quando estamos reunidos preferimos ficar no celular ou absorvidos nas próprias preocupações com pouco ou nenhum envolvimento. Uma solução simplista poderia indicar que é apenas necessário começar a pensar como se vive ou começar a viver como se pensa a fim de superar a discrepância e encontrar-se. Contudo, não somos seres totalmente programáveis respondendo a estímulos que produzem efeitos previamente estabelecidos. Podem existir tantas receitas para ser feliz quantas sejam as vidas que habitam no planeta. Ainda que bons exemplos e comportamentos possam ser ensinados, é necessário que cada ser humano e cada comunidade humana encontre os caminhos para sua realização e felicidade. Luís Fernando Lopes.

Notícias relevantes: