Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Espaço do Cidadão – 28/08/2018

LEITOR | 28/08/2018 | 04:50

BOLSONARO E OS DEBATES ELEITORAIS: Segundo noticiado pelo portal UOL, Gustavo Bebianno, presidente em exercício do PSL, afirmou que Jair Bolsonaro não deverá mais participar de nenhum outro debate contra seus adversários. E que a ausência dos próximos debates não se trata nem de uma estratégia, mas uma constatação. “Nós imaginávamos que, de alguma forma, esses debates pudessem acrescentar alguma coisa, mas são debates naqueles formatos antigos”, disse Bebianno.

Realmente, o formato é o já consagrado: perguntas do mediador, da plateia, de jornalistas e confronto direto entre os candidatos. A questão aqui é: pode-se desprezar esse modelo? Creio que não. Vivemos, neste pleito, uma campanha mais curta, com menos tempo de TV e também com menos recursos financeiros. Assim, já há dados que indicam que um alto índice do eleitorado aguardará a propaganda televisionada para decidir seu voto.

Portanto, além da propaganda eleitoral, as entrevistas e sabatinas junto aos candidatos terão papel interessante. Numa propaganda, construída pelos marqueteiros e veiculada nas TVs, rádios e redes sociais, temos um ambiente controlado, bem como um político já roteirizado, treinado à exaustão. Lembremos de Dilma dentro dos parâmetros definidos pelo marqueteiro e usando o teleprompter e de Dilma discursando de improviso (basta passear no YouTube para encontrar suas “pérolas” discursivas).

Quando participa de entrevistas e debates, especialmente ao vivo, o candidato não tem como escapar da imprevisibilidade, de ser confrontado diretamente e, com isso, pode apresentar suas fragilidades, incoerências e traços de sua personalidade.
Numa conversa – há tempos – com um amigo da área de marketing, concordamos que uma boa estratégia para Bolsonaro seria não aceitar participar de nenhum debate. Desta forma, poderia, desde o início, afirmar que não se “juntaria à corja”, com “essa gente” e não contribuiria para a “palhaçada”. Isso teria um enorme grau de aderência ao seu posicionamento e ao seu discurso político.

No entanto, Bolsonaro foi ao primeiro debate, na Band; e, depois, ao da Rede TV. No primeiro, nada de muito importante, foi um debate morno e regular para todos os candidatos. Mas, no da Rede TV, foi confrontado pelo jornalista Reinaldo Azevedo que, ao perguntar sobre um tema técnico, já embutiu: “Ou isso não é da competência do presidente da República?”. Bolsonaro se enrolou, não respondeu e apresentou platitudes.

Depois, no confronto direto, chamou ao centro para questionar Marina Silva. Tomou uma resposta que não esperava, ficou atordoado e, no embate, saiu apequenado em relação à candidata, por muitos considerada frágil e pouco assertiva. Bolsonaro acusou o golpe. A equipe, embora faça a crítica ao modelo antigo dos debates, quer, sim, resguardar o seu candidato.

Rodrigo Augusto Prando – cientista político e professor


Leia mais sobre |
Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/espaco-do-cidadao-28082018/
Desenvolvido por CIJUN