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Espaço do Cidadão – 30/07/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 30/07/2019 | 04:00

RINHA EM SÃO PAULO

Nestes dias em que os olhares se voltam para o ministro Boris Johnson, e a espinhosa missão de conduzir o “Brexit”, nos quatro países do Reino Unido, Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e Gales, vale ressaltar o significado do prazo definitivo, 31 de outubro, marcando o aniversário da Reforma de Lutero, que alicerçou também a Igreja Anglicana, ou mesmo as brincadeiras do “Halloween”, entre sustos e doces, na tradição celta cultivada pelos ingleses! Guardo algumas lembranças de eventos com ingleses, na capital paulista. Fui professor de Robert Howard Cooper, ginasiano do Colégio São Luiz, cujo pai ocupava importante função na diretoria da “Wellcome”, situada na Av. Santo Amaro, esquina com a Eucaliptos.

Quando me encontrava no curso de Teologia, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, recebi, com agradável surpresa, visita do Robert e sua família, que viajavam pelo Sul, e foram conhecer o “Cristo-Rei”, dos jesuítas. Entretanto, o Laboratório “Wellcome” me recorda um episódio da última vez em que a Rainha Elisabeth visitou a capital paulista, em 1968. Estávamos em pleno governo militar e a soberana da Inglaterra recebia autoridades no seu iate “Britannia” ancorado na baía de Guanabara (Elio Gaspari,

“As ilusões armadas”, vol.2). Contudo, naquela manhã, Elisabeth II veio ao MASP, para conhecer a façanha arquitetônica da Lina Bo Bardi. Não teve, é claro, a mesma multidão fotografada há poucos dias, lotando o vão livre na fila de visitantes de “última hora” curiosos por verem Tarsila e seu Abaporu!

Todavia, a imperial presença era motivo de atração para os populares; assim, o motorista foi instruído para levar Sua Majestade até o citado Laboratório, percorrendo um trajeto previamente limpo, enfeitado e a ser obrigatoriamente percorrido. Deixando a Paulista, descendo até o Ibirapuera, Monumento das Bandeiras, av. República do Líbano, e antes de adentrar na Av. Indianópolis, dobrar à direita, na rua Canário, seguindo até o final, quando, chegando na av. Ibirapuera, nova curva à direita e depois de alguns metros, estaria no “Wellcome”! Eu percorria esse trajeto ao visitar meus pais, quando morávamos na Al. Santos. Aqui, porém, um detalhe: todo o roteiro previsto estava limpinho, com as calçadas pintadas de cal, um festival de brancura! E o pior aconteceu! Confuso com tantos nomes de pássaros (por ali existem a Pintassilgo, Tuim, Lavandisca, Inhambu, tudo quanto voa e pia…) o chofer virou em outra esquina, que não a rua Canário! Foi aquele vexame, a rainha passou pela verdadeira cidade paulistana, com ruas sujas e sem maquiagem… Mas chegaram ao destino!…Só ignoro o que terá acontecido com o coitado do motorista. A bronca que deve ter levado e quantas peninhas terão voado!

Antônio Luiz Gomes.


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