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Espaço do Cidadão – 30/08/2018

LEITOR | 30/08/2018 | 04:50

JOHN MCCAIN E O BRASIL: No último sábado (25), faleceu nos Estados Unidos o senador republicano representante do Arizona John McCain, aos 81 anos. Com história de vida marcada por grandes acontecimentos, deixou lições humanas e políticas que servem não somente para os norte-americanos, mas também para o Brasil.

Na Guerra do Vietnã, em 1967, foi capturado com fratura nos braços e em uma das pernas, após seu avião ser abatido. Mantido preso em Hanói, foi torturado durante mais de cinco anos, parte dos quais mantido na solitária. Os vietnamitas chegaram a propor a soltura de McCain após a informação de que era filho de um membro de alta patente das forças norte-americanas, oferta recusada pelo próprio prisioneiro, em respeito ao protocolo de soltura dos cativos de acordo com a ordem em que haviam sido capturados. Toda esta situação transformou-o em herói de guerra nos Estados Unidos.

Tendo retornado à terra natal em 1973, dedicou-se à carreira política, especificamente no Legislativo. Tornou-se conhecido pela fala direta e sincera, independentemente do assunto, mesmo quando isto significou a oposição à visão majoritária do Partido Republicano. Tal fato ficou evidente no último grande ato público de sua vida, quando após passar por uma cirurgia, em 2017, foi ao Senado votar pela manutenção do programa de saúde conhecido como “Obamacare”.

Ademais, percebe-se que, a despeito da natural contradição apresentada por qualquer pessoa durante a existência, McCain manteve-se firme em relação aos princípios que o guiaram ao longo da vida, admitindo alguns equívocos e respeitando os adversários no âmbito público. Mesmo tendo sido injustamente atacado por questões familiares quando disputou as primárias para as eleições presidenciais de 2000, contra George W. Bush, não deixou de manter a postura séria, mas respeitosa.

Dois momentos demonstram essa característica. Em outubro de 2008, durante um evento público nas eleições presidenciais em que enfrentou Barack Obama, pegou o microfone de uma apoiadora que havia feito críticas pessoais ao adversário, dizendo que o democrata era um decente homem de família de quem ele discordava em questões fundamentais e era sobre isso que a campanha deveria se ater. Ao fim da campanha, deu outra mostra de caráter quando, no discurso de reconhecimento da derrota na eleição de 2008, pediu para que a plateia parasse de vaiar o nome de Obama, mencionando a importância da eleição de um afro-americano.

E o que isso tem a ver com o Brasil? Muita coisa. A observância das regras na recusa à liberação do cativeiro (sem se aproveitar de suas ligações pessoais) e o respeito ao adversário são atitudes que reforçam qualidades particulares que deveriam inspirar as autoridades e os candidatos nestas eleições.
Elton Duarte Batalha – advogado, doutor em Direito e professor de Direito


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