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Espaço do cidadão – 02/03/2018: Os perfis para as urnas

ESPAÇO DO CIDADÃO - opiniao@jj.com.br | 02/03/2018 | 05:55

OS PERFIS PARA AS URNAS: Até o pleito de outubro, os eleitores colocarão uma lupa sobre os candidatos. Farão um controle mais apurado do que em eleições passadas. Primeiro, em função da desconfiança que paira sobre os políticos. Segundo, porque o voto começa a sair do coração para subir à cabeça. O voto racional toma o lugar do voto emotivo. Terceiro, porque o conjunto do eleitorado, de costas para a política, se abriga em entidades de referência e defesa – sindicatos, associações, clubes, movimentos de todos os tipos – e estas tendem a orientar a escolha para determinados perfis. Bancadas setoriais ganharão amplitude. Veremos um eleitor afinado ao espírito do tempo.

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Que conceito o eleitor faz hoje do político? Pesquisas mostram que, de cada 100 brasileiros, apenas 3 confiam nos políticos. Escândalos em série registrados nos últimos tempos contribuem para a má avaliação. E que perfis conseguem atrair a atenção? A autoridade é seguramente um deles. O brasileiro sente-se atraído pela figura do pai, que expressa autoridade, respeito, o homem providencial capaz de suprir as necessidades da família. Mas não se deve confundir autoridade com autoritarismo. Jânio Quadros era uma figura que expressava respeito. O equilíbrio atrai a atenção. Pessoas desequilibradas não merecem consideração, mesmo que neste ano a palavra dura e um murro na mesa possam fazer parte do discurso (Bolsonaro absorve essa condição). O equilíbrio está ligado à harmonia, serenidade, valor que carrega sentimento de justiça. Estes valores somam-se, conferindo ao político confiabilidade e respeitabilidade, base para consolidar uma boa imagem.

Os desafios da administração e as demandas sociais exigem conhecimento e experiência, ferramentas para o encontro de soluções rápidas. O eleitor desconfia de aventureiros e ignorantes por considerá-los “aposta cega”, “um tiro no escuro”. O preparo e o ideário bem organizado podem melhorar a imagem. O bom candidato é também aquele que sabe articular com grupos organizados. Urge respirar o “cheiro das ruas”. A proximidade com o povo se faz necessária. E os valores negativos? Indecisão é um deles. Associa-se à ideia de pessoa sem personalidade, fraca. Encrenqueiro e corrupto, então, nem se fala: são traços negativos. O brasileiro desconfia de estilos impetuosos, viradores de mesa. Mudanças são desejáveis, contanto que não causem grandes sustos. Quem está ligado à corrupção será visto com desconfiança. Se a identidade é forte e positiva, o político será associado às boas lembranças de seus eleitores. Conselho: comece, desde já, a focar sua lupa sobre os perfis dos eventuais protagonistas.

Gaudêncio Torquato – jornalista, professor da USP e consultor político e de comunicação

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