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ESPAÇO DO CIDADÃO

da redação | 19/01/2019 | 04:00

OS VINHOS DE FRANKFURT
Visitantes que passam pela cidade de Frankfurt, certamente enxergarão ali a capital econômica da Alemanha, com seus enormes edifícios e bancos, sem prestar muita atenção na arquitetura do Romer ou nas vielas da Sachenhausen, onde se pode saborear o famoso Vinho de Maçã – Apfelwein – típico da cidade renana. Vinho que certamente seria degustado pelos estudiosos do Instituto de Pesquisas Sociais. Fundado em 1924 na Universidade de Frankfurt, do qual seriam participantes os principais teóricos do movimento posteriormente rotulado como “Escola de Frankfurt”.
A partir de estudiosos como Theodor Adorno e Max Horkheimer desenvolveram-se obras fundamentadas mais no espírito hegeliano, de Schelling, por exemplo, do que nos roncos agitadores de Marx e Lenin.
O período de 1920 até o início da Segunda Guerra, em 1939, marcava-se por corajosos enfrentamentos ao ímpeto agressivo de Hitler, um dos quais, a perseguição ao jornal bávaro “Münchener Post” , é objeto de notável estudo da professora brasileira Silvia Bittencourt.
Entendo que a devoção dos atuais esquerdinhas, ao que chamam de “Escola de Frankfurt”, é algo tão vaporoso quanto a “saga dos inteligentinhos” (cf.Pondé) repetindo mitos de Gramsci e Althusser, além de outros teóricos que, indevidamente, são nomeados “frankfurtianos”. No grupo que estabeleceu um pensamento crítico sustentado pela competência de Marcuse e pela arte de Brecht, pode-se notar uma inteligência aniquilada pela incapacidade de reagir, caso de Walter Benjamin, que se suicidou para fugir da Gestapo! E em contrapartida, talentos filosóficos indiscutíveis, como o de Jurgen Habermas, autor da tese “O Absoluto e a História”, figura destacada pelo debate que realizou em Munique com o então Cardeal Josef Ratzinger, a propósito de temas que envolviam o pensamento laico e a religião, e sempre tiveram a boa lembrança do Papa Bento 16 em seus comentários.
A esquerdinha que hoje cita a Escola de Frankfurt, em seus embriagados reptos, comete a injustiça de transformar aquele núcleo de estudos num acampamento de revoltosos sem noção, como quem bebesse, feito cachaça de segunda classe, o saboroso “Apfelwein”!
Antônio Luiz Gomes


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