Opinião

Espiritualidade do avental


Acabo de ler o livro ‘Espiritualidade do Avental’ – Ed. Loyola - do Frei Patrício da Ordem dos Carmelitas Descalços, neste tempo em que o olhar de muitos se voltou para a canonização de Santa Dulce dos Pobres (1914-1992), primeira santa nascida no Brasil e que de sua vida fez acolhimento e salvação para tantas outras vidas, em especial às dos menos favorecidos. O lema de sua ação era ‘amar e servir’. Para tentar arrecadar dinheiro aos empobrecidos, chegou a tocar acordeão e a cantar nas ruas de Salvador. Assim como ia em busca dos marginalizados nas periferias, não tinha preconceito em relação aos poderosos: aproximava-se deles para mostrar a realidade que muitos não viam e ignoravam, a fim de que a partilha se tornasse real, pois como ela mesma afirmou: “As pessoas que espalham amor não têm tempo e nem disposição para jogar pedras”. E ainda: “No coração de cada homem, por mais violento que seja, há sempre uma semente de amor prestes a brotar”. Mas voltando à ‘Espiritualidade do Avental’ do Frei Patrício, a respeito do lava-pés, segundo o autor é o testamento prático e vivencial que Jesus nos deixou – serviço gratuito e amoroso ao próximo - para que, dessa forma, agíssemos e déssemos testemunho de que o reino de Deus está entre nós. Frei Patrício destaca, no acontecimento, os sete verbos de serviço: levantar-se da mesa, tirar o manto, tomar a toalha, cingir-se com a toalha, derramar água numa bacia, lavar os pés e beijá-los. Servindo, Jesus não perde a sua autoridade de Mestre. Segundo o autor, é necessário destruir as resistências, como o orgulho, que estão dentro de nós para reconstruir um novo tipo de relacionamento, recordando que o coração é o ‘útero’ das gestações do bem e do mal. O lava-pés é um convite para nos levantarmos da nossa preguiça interior, “que nos impede de ir ao encontro dos outros para ajudá-los, para estender as nossas mãos”, conclui o Frei. Em seu sermão, na canonização dos cinco novos santos, dentre eles Santa Dulce dos Pobres, o Papa Francisco disse sobre a importância da oração, como porta da fé e remédio para o coração, e encerrou assim a sua fala: “Peçamos para ser (...) ‘luzes gentis’ no meio das trevas do mundo’. Jesus, ficai conosco e começaremos a brilhar como brilhais Vós, a brilhar de tal modo que sejamos uma luz para os outros”. Amém! MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE é professora e cronista [caption id="attachment_56286" align="aligncenter" width="800"] Maria Cristina Castilho[/caption]

Notícias relevantes: