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Estudo de alerta nos bens culturais

EDUARDO CARLOS PEREIRA | 07/03/2020 | 05:22

As chuvas que encurtaram o verão registraram os maiores índices pluviométricos dos últimos 70 anos. O que se fala é que os prefeitos não colocaram nas agendas e em suas campanhas a solução dos efeitos devastadores desses índices anormais.

Evidente que as alterações ambientais, que muita gente não quer admitir, são consequências que assistimos hoje, como a tragédia na baixada santista. Estamos pagando caro pela inação. Pior quando essa discussão não é reconhecida pelo governo que defende exatamente o contrário: as expansões agrícolas e os desmatamentos na Amazônia.

Se as obras civis são controladas em Jundiaí, não estamos vendo providências no acautelamento dos edifícios tombados: são os que estão mais flagrantemente ignorados. O Complexo FEPASA está com a maior parte de suas edificações intransitável, a avaliação dos danos das chuvas parece que não existe e, possivelmente, grande parte está em ruínas. Não sabemos por que o motivo da emergência é ignorado, mesmo com verbas destinadas do tribunal de justiça, da Lei Rouanet, para as intervenções nos edifícios abandonados.

Questões burocráticas do bem tombado pelo Condephaat e pelo Iphan impedem e início de obras e licitações, mesmo com projeto de restauração feito e com orçamento de milhões de reais.

A estação ferroviária, patrimônio ferroviário estadual, teve sua restauração recentemente declarada sem interesse pela CPTM. Omissão noticiada e justificada pelo alto custo das obras. Fato é que os altos valores atendem o projeto de ampliação. Quanto é o gasto na manutenção e restauração? Por que isso não faz parte da conservação do edifício que, confessadamente, jamais houve?

A estaçãozinha, pelo desinteresse no uso, foi queimada… e agora um grupo de preservadores tenta salvá-la. Não basta ajudá-los, é preciso um plano de uso, uma negociação com quem possa ter a concessão do espaço, pelo mercado e os incentivos municipais.

Jacqueline Lima, vice-presidente do Compac e representante do IAB Jundiaí afirma: “Todos se lembram dos esforços do Conselho Municipal do Patrimônio (COMPAC) e das entidades, dentre elas o IAB (Instituto dos Arquiteto do Brasil) assim como muitos Historiadores e Munícipes para deter a demolição da Casa Rosa. Ela se encontra hoje com o telhado parcialmente destruído e o piso de madeiras nobres, assim como o mobiliário e detalhes decorativos, expostos a intempéries, tornando sua preservação ainda mais difícil.

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista.


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