Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Fábio Sorge: 1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil

FÁBIO JACYNTHO SORGE | 19/06/2018 | 05:00

Na última quinta-feira (14), tivemos o início da Copa do Mundo de Futebol, realizada na Rússia este ano. Como sempre, existem aqueles que apontam no gosto do brasileiro pelo futebol a razão de nosso atraso. Seríamos um povo alienado, feito de otário por nossos políticos, porque só pensamos no que acontece nas quatro linhas. O futebol seria uma das causas dos males de nosso país.

Foto:

De fato, a nossa relação com o esporte bretão é complexa. O esporte mais popular do Brasil quase sempre esteve no foco das discussões, que vão muito além do que acontece no campo. Nesse aspecto, o excelente documentário “1958, O ano em que o mundo descobriu o Brasil” – que retrata a conquista do primeiro Mundial pela seleção brasileira – explica a complicada relação que temos com o time nacional.

LEIA TAMBÉM OUTRAS COLUNAS DE FÁBIO SORGE

UM POVO SEM MEMÓRIA É UM POVO SEM FUTURO

A DANÇA DAS CADEIRAS

CLIQUE AQUI E CONFIRA OUTRAS COLUNAS DE OPINIÃO DOS ARTICULISTAS DO JORNAL DE JUNDIAÍ 

Lançado há uma década para comemorar os 50 anos daquela conquista, a obra traz de modo alegre e lúdico os bastidores daquela campanha. Tendo de superar a derrota de 1950, o famoso “Maracanazo”, o filme retrata que pela primeira vez a seleção se organizou e fez uma preparação adequada para aquela competição.

Talvez, tenha sido uma das primeiras conquistas da qual o brasileiro pudesse se orgulhar. Nas palavras de Nelson Rodrigues, o Brasil estaria abandonando “o complexo de vira-latas”. Porém, a grande verdade é que hoje, talvez mais do que em qualquer outro período de nossa história, há um sentimento forte de desalento e desencanto.

LEIA MAIS: COPA? ALGUNS JUNDIAIENSES NÃO ESTÃO NEM AÍ

Em todas as conversas e diálogos, noto que estamos tomados de uma sensação de derrota e de que o país está fadado ao fracasso. Tempos estranhos e sem esperança são esses que vivemos. E nesse mau humor geral, sobra também para o futebol. Várias frustrações são descarregadas no time brasileiro, como se ele fosse responsável por todos os nossos males. Mas não é.

É evidente que não se defende aqui que “a seleção é a pátria de chuteiras” ou que a “CBF é o Brasil que deu certo”. Muito longe disso. Mas o time nacional, como muitas outras coisas, é um patrimônio brasileiro que ninguém é obrigado a amar, mas certamente não precisa odiar. Em 1958, como em 62, 70, 94 e 2002, a seleção jogou um futebol organizado, bonito e em alguns momentos encantador, projetando uma boa imagem do país no exterior e elevando um pouco a autoestima nacional.

E é apenas isso que podemos esperar do futebol, que talvez deva ficar afastado desse sentimento destrutivo que parece ter tomado conta do Brasil nos últimos tempos.

FABIO JACYNTHO SORGE é defensor público do estado de São Paulo – Vara do Tribunal do Júri – e coordenador da Regional de Jundiaí

 

Em 1958, jogadores da seleção brasileira carregam a bandeira da Suécia após bater a equipe da casa na decisão da Copa do Mundo (Foto: Getty Images)

Em 1958, jogadores da seleção brasileira carregam a bandeira da Suécia após bater a equipe da casa na decisão da Copa do Mundo (Foto: Getty Images)


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/fabio-sorge-1958-o-ano-em-que-o-mundo-descobriu-o-brasil/
Desenvolvido por CIJUN