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Fabio Sorge: A seleção da CBF?

FABIO JACYNTHO SORGE | 02/07/2019 | 07:30

Hoje, 30/06/2019, no dia em que escrevo essa coluna, completam-se 17 (dezessete) anos da conquista do Pentacampeonato Mundial Futebol Masculino, pela Seleção Brasileira de Futebol. Quando a coluna for publicada, na terça-feira, teremos uma Semifinal da Copa América Masculina, disputada entre Brasil e Argentina.

Todavia, não é difícil constatar que a Seleção Brasileira Masculina já não desperta a mesma paixão da torcida, a bem da verdade, temos um enorme distanciamento. Existem pessoas que inclusive torcem contra o time, chamando-o pejorativamente como a “Seleção da CBF”, em razão dos desmandos e da corrupção daquela entidade. E de fato, a Confederação Brasileira de Futebol, chamada pela jornalista Juca Kfouri de “Casa Bandida do Futebol” é a grande responsável por esse estado de coisas. Isso porque, embora seja uma entidade privada, sempre foi dirigida por cartolas de caráter e atuação duvidosos e que tratam com enorme descaso o futebol da Seleção, aliás, das Seleções masculina e feminina e dos clubes.

Vários de seus dirigentes foram condenados pela Justiça, como o ex-presidente José Maria Marin que cumpre pena nos Estados Unidos, passando por Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira que não podem sair do país, para não serem presos e foram banidos do esporte para sempre.

É evidente que esse ambiente na cúpula da entidade, reflete em toda a Seleção e soma-se a um despreparo profundo ao tratar do futebol nacional.

Os jogos amistosos, por exmplo, são vendidos para um patrocinador, com confrontos com seleções ou adversários muitas vezes sem qualquer nível técnico e sempre fora do País. Há muitos anos, o Brasil não faz um amistoso em casa. Além disso, grande parte dos jogadores não joga no futebol nacional, o que aumenta o distanciamento entre torcedores e a Seleção, afinal viramos um país da exportação de atletas.

Por fim, mas não menos importante, o futebol brasileiro, certamente tem o pior calendário mundial, temos um número excessivo de jogos e campeonatos e por muitas vezes, a Seleção concorre com os clubes ao levar os atletas de um time para uma competição sem que o campeonato local pare, ou seja, as equipes nacionais são desfalcadas como “prêmio” por terem um jogador convocado, como aconteceu com Cássio e Fagner do Corinthians, nessa Copa América.

Porém, mesmo diante disso, não consigo torcer contra a Seleção Brasileira Masculina. Isso porque, o Brasil é um país extremamente carente de referências boas. Temos, como nação, problemas crônicos de autoestima. E desde a Conquista do Mundial de 1958, o futebol passou a ocupar um daqueles pouco lugares em que o Brasil tinha um destaque positivo e protagonismo.

Por isso, torço para que a Seleção Masculina se acerte e para que a Feminina atinja o caminho das vitórias. O país precisa de notícias boas.

FABIO JACYNTHO SORGE é defensor público do estado de São Paulo e coordenador da Regional de Jundiaí


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