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Fabio Sorge: Caso Neymar

FABIO JACYNTO SORGE | 04/06/2019 | 07:30

A notícia mais comentada do último final de semana foi a acusação de estupro contra o jogador Neymar Júnior. Na última sexta-feira, uma mulher foi a uma delegacia de polícia alegando que teria sido violentada por ele..

Ela narra que teria ido à Paris, a convite de Neymar e que o crime teria ocorrido em uma suíte de hotel. O jogador não nega que teve relação com a vítima, mas alega que foi consensual. Ele postou um vídeo nas redes sociais tratando do fato e divulgou diversas mensagens trocadas com a moça.

Por muito tempo, abusos sexuais e estupros não foram devidamente notificados e muito menos investigados. Havia um cenário de desconfiança profunda da palavra das vítimas, em especial, se o denunciado era famoso.

Recentemente, graças a luta de diversas mulheres, em especial após a campanha do Me too (eu também, em tradução literal) várias mulheres do ‘showbiz’ relataram episódios de assédios e violências que sofreram, o que ocasionou diversas demissões e a abertura de processos criminais contra indivíduos que há anos praticavam abusos, escondidos por seus cargos ou pela influência que tinham.

Permitir um ambiente em que as vítimas de abusos possam fazer suas denúncias com tranquilidade e principalmente que haja uma apuração séria e isenta, deve ser o objetivo de todos. Ninguém quer que assediadores permanecessem intocáveis e nem que inocentes sejam punidos. Daí a dificuldade de questão, pois apurar com seriedade as denúncias é diferente de autorizar punições sem provas.

E agora, o caso do jogador Neymar pode servir como exemplo, pois em uma primeira análise, o relato da ofendida não parece ser crível ou plausível, em especial, porque após os fatos, ao que parece, ela manteve contato normalmente com o jogador, o que não condiz com a postura de vítima desse tipo de crime.

Para se saber quem está falando a verdade teremos de aguardar o término da apuração, mas o caso serve como alerta para que se assegure que as mulheres vítimas desse crime sempre tenham seus relatos ouvidos com atenção, mas também para permitir aos acusados o devido direito de defesa, sob pena de cometermos injustiças, com a melhor das intenções.

FABIO JACYNTO SORGE Defensor Público do Estado de São Paulo Vara do Tribunal do Júri; Coordenador da Regional de Jundiaí

Foto: Rui Carlos/Jornal de Jundiaí


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