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Faustino Vicente: Gari, Parabéns

FAUSTINO VICENTE | 07/05/2019 | 07:30

Este nome surgiu graças ao empreiteiro francês Pedro Aleixo Gary que firmou contrato com o ministério Imperial em 11 de outubro de 1876 para realizar a limpeza do Rio de Janeiro. Aleixo Gary inaugurou uma nova era na história da limpeza pública no Rio, apoiado principalmente em sua eficiência de trabalho.”
O Dia do GARI é comemorado em 16 de maio. Há alguns dias, chegando num supermercado logo pela manhã, vimos um morador de rua deitado no chão com o corpo totalmente coberto. Fizemos as nossas compras e pegamos alguns pãezinhos e uma bandeja de frios com o objetivo de entregar para essa pessoa.
Para nossa surpresa, ele já não mais se encontrava ali. Caminhando, rumo à nossa casa, nos deparamos com uma Gari para a qual oferecemos o referido lanche. Ela aceitou dizendo “Que Deus te abençoe”. Desejando-lhe um bom dia de trabalho, nos afastamos. Ato contínuo, ouvimos ela gritando para uma colega que se encontrava no outro lado da rua –“Maria”, vem cá pra gente comer um lanche que esse senhor deu pra nóis”.
Essa exemplar atitude, de dividir (literalmente) o pão, nos emocionou pela pureza de alma dessa profissional o que nos levou a escrever este artigo, como homenagem à essa classe, que presta um relevante serviço de Saúde Pública. Quando falamos de limpeza, na qualidade de consultor em Gestão da Qualidade, somos “levados” ao chamado 5S, programa exemplar de origem japonesa.
Limpeza e higiene representam a pedra angular do Sistema da Gestão da Qualidade, que tivemos o privilégio de ministrar em organizações de todos os portes e segmentos, por vários estados do Brasil.
O 5S é um programa de gestão de qualidade empresarial, que visa aperfeiçoar aspectos fundamentais da melhoria contínua do processo.
Seiri, senso de utilização. Seiton, senso de organização (ordem). Seiso, senso de limpeza. Seiketsu, senso de padronização Shitsuke, senso de disciplina.
Mais do que tudo que poderíamos escrever sobre os Garis, seria muito pouco sobre a interessante experiência que, quando estudante, o psicólogo social da USP, Fernando Braga da Costa vivenciou.
Ele vestiu o uniforme de Gari e trabalhou (sem salário) durante algum tempo exercendo essa profissão e constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis”… sem nome.
Em sua tese de mestrado, ele conseguiu provar a existência da “invisibilidade pública”, ou seja, uma percepção humana totalmente equivocada, onde enxerga-se somente o serviço e não o Ser Humano. A nossa expectativa é que este artigo contribua para que cada um de nós, mude a nossa atitude em relação aos Garis.

FAUSTINO VICENTE é Consultor em Gestão da Qualidade, Professor e Advogado – e-mail: faustino.vicente@uol.com.br

ARTICULISTA FAUSTINO VICENTE

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