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Fernando Bandini: Douglas Tufano

FERNANDO PELLEGRINI BANDINI | 03/04/2019 | 07:30

O mais jundiaiense dos paulistanos. Essa poderia ser uma definição para o professor e escritor Douglas Tufano. Erudição, refinamento e humildade também acompanham o mestre, autor de um sem número de obras acerca de literatura e língua portuguesa. Conheci-o na década de 1980, no balcão da Livraria Dom Quixote, da qual ele era freguês. Participamos depois de uma ou outra comissão julgadora de concursos literários locais. Voltei a conversar com ele em tempos de Jornal de Jundiaí, quando eu escrevia um suplemento infantil e Tufano mantinha coluna a respeito de Língua Portuguesa. Mas é do escritor que quero tratar: Tufano é um grande divulgador de literatura. Organizou, redigiu notas explicativas, bolou roteiro de estudos para uma enorme lista de obras literárias portuguesas e brasileiras. Pela Editora Moderna, esteve à frente de empreitadas memoráveis, como a coleção de clássicos da literatura brasileira, em edições de bolso, compactas, quando o “mercado” não dava bola para isso. Escreveu sua própria coleção de livros didáticos de Redação, Literatura e Gramática, adotados por todo o país, além de continuar com as edições escolares de clássicos (Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Álvares de Azevedo…). Em 2000, por ocasião dos 500 anos da chegada dos portugueses, preparou uma edição caprichada da famosa Carta de Pero Vaz de Caminha, registro histórico da aventura comandada por Pedro Álvares Cabral em terras brasileiras. Um dos mais recentes trabalhos de Tufano foi a edição crítica dos “Sermões da Quarta-Feira de Cinzas”, do padre Antônio Vieira. São três dos mais conhecidos sermões do escritor e padre jesuíta e tratam da morte. O professor esmiuçou os textos, traduziu o caminhão de citações latinas do sermonista, e recheou a obra de notas explicativas. Um trabalho de fôlego, muitas vezes não reconhecido em leituras superficiais. Além dessa intensa atividade de escritor, ele ministra cursos por todo o Brasil para capacitação de professores; mantém grupos de redação para alunos em fase de vestibulares, e organiza palestras de cultura geral. Quanta gente não aprendeu com ele a respeito dos artistas do Renascimento, em viagens pela Itália de Da Vinci e Michelangelo? (Ainda serei um de seus alunos). Por tudo isso, Douglas Tufano – esse bissexto torcedor do Juventus da Mooca – pode ser chamado de grande mestre. Evoé, professor.

FERNANDO PELLEGRINI BANDINI é professor de Literatura no Ensino Médio.

Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí

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