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Fernando Bandini: Marina e suas histórias maravilhosas

FERNANDO PELLEGRINI BANDINI | 17/04/2019 | 07:30

Etíope, italiana e brasileira, Marina Colasanti é antes de tudo uma artista talentosa. Escreveu e ilustrou as narrativas de “Mais de 100 histórias maravilhosas”, coletânea de textos produzidos em quatro décadas de literatura. São histórias de fadas, reis, princesas e seres fantásticos, mas com uma linguagem e uma visão renovadas pela jovialidade da autora. Não se espere mocinhas passivas à espera de um príncipe determinado e forte, nem a outra ponta, com jovens empoderadas ocupando seu lugar de fala no século 21. A toada é diferente e surpreende pela beleza dos enredos e do estilo. Lançado pela editora Global, em 2015, o volume é um bom caminho para se iniciar na obra da escritora.
Nascida em 1937, na Etiópia, território então ocupado pelos italianos, no chifre da África, Marina Colasanti mudou-se para a Itália e depois para o Brasil, onde sua família chegou em 1948, deixando para trás o país europeu depauperado pela guerra. Foi no Rio de Janeiro que estudou Artes Plásticas e iniciou sua carreira. Pintora, foi desenhista e ilustradora antes de ser reconhecida como escritora. Em 1962, começou a trabalhar como redatora e ilustradora no Jornal do Brasil, então o grande jornal carioca dos anos de 1960.
No JB manteve coluna de crônicas e editou seu suplemento infantil. Colaborou com algumas das principais revistas brasileiras, como Cláudia, Nova e Manchete. Seu primeiro livro, “Eu sozinha”, foi lançado em 1968. Colasanti conquistou prêmios respeitáveis como poeta, escritora e tradutora. São cerca de 50 títulos publicados no Brasil, muitos deles traduzidos e editados fora daqui.
Essas “Mais de 100 histórias…” é um volume único, quer pela delicadeza e sensibilidade da linguagem, quer pelo insuspeitado de personagens e tramas. Como na história de “Uma ponte entre dois reinos”, ou na fantástica sequência de “23 histórias de um viajante”.
Apesar da predominância de textos curtos, de três a quatro páginas, há no livro narrativas mais longas, como a de “O homem que não parava de crescer”. Em “A princesa mar a mar”, a autora encanta pelo lirismo, renovando a conhecida e repetida sequência dos candidatos a ocuparem a vaga de genro do rei poderoso.
Tem ainda narrativas que remetem a outras, como a bela “A cidade dos cinco ciprestes”, que dialoga com “À sombra de cinco ciprestes”. Os leitores esperamos mais histórias de Marina Colasanti.

FERNANDO PELLEGRINI BANDINI é professor de Literatura no Ensino Médio

Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí

Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí


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