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Fernando Bandini: Que beleza, Milton Leite!

FERNANDO BANDINI | 07/07/2018 | 05:00

Um dos grandes locutores esportivos do Brasil, Milton Leite cria bordões que se eternizam: “Que fase, fulano”!; “Agora eu ‘si’ consagro”; e o que está tatuado em suas narrações: “Que beleza!”. Pois o divertido e competente narrador é um jornalista de primeira, atuante em redações de jornais paulistanos e – para orgulho local – jundiaienses. É do jornalista um livro muito bom: “As melhores seleções brasileiras de todos os tempos”, lançado pela editora Contexto em 2010, às vésperas do Mundial da África do Sul. A começar pela capa, em belo projeto gráfico de Gustavo Vilas Boas, em que erguem a taça os capitães das cinco conquistas brasileiras e na qual aparece também Sócrates, capitão em 1982, no time que, mesmo sem vencer, encantou o mundo.

Além da pesquisa exaustiva dos números da seleção nos torneios, Milton entrevistou expoentes das campanhas. O livro começa com o escrete de 1958, vencedor na Suécia, em que pontificava o maestro Didi e no qual apareceram as estrelas de Nilton Santos, Gilmar, Garrincha e Pelé. Os dois últimos, por sinal, demoliram o mito racista de que a mestiçagem era um problema brasileiro que o futebol potencializava. Pois com o mestiço Garrincha e o negro Pelé, o Brasil detonou. Segue com o selecionado de 1962, bicampeão no Chile, que ganhou mesmo sem contar na maior parte da campanha com o contundido Pelé. Parte para a equipe de 1970, no México, apontada por muitos como a melhor seleção de todos os tempos. Reforça a ideia de que Zagallo organizou, de fato, um time, e que “não eram os jogadores que escalavam a seleção”, lenda disseminada na época.

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Em 1982, lembra a fantástica formação criada por Telê Santana, aquela do melhor futebol, mas sem título no currículo. Passa pela pragmática equipe de 1994, montada por Parreira para acabar com um jejum de 24 anos, e encerra com a “Família Scolari”, em 2002, mais um time que chegou desacreditado (como o de 70 e o de 94) e que levou o troféu. Para cada seleção, um trecho especial (“Quem faltou?”) para as ausências (de Canhoteiro, em 58; Mazzola, em 62; Dirceu Lopes, em 70; Careca, em 82; Ricardo Gomes, em 94; e Romário, em 2002). Aparece também a carreira completa de todos os jogadores das conquistas brasileiras, mais a turma de 1982. O livro é um presente do jornalista para quem curte e acompanha a seleção, e do qual o leitor certamente dirá: “Que fase, a do Milton Leite”!

FERNANDO PELLEGRINI BANDINI é professor de Literatura no Ensino Médio

Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí

Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí


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