Opinião

Finados - O dia da vida e do amor


Tradição religiosa nascida na França, em 998 d.C., o dia de Finados foi criado inicialmente para que se orasse pelos mortos, sobretudo os que haviam sido esquecidos. O hábito, enraizado no tempo, se espalhou por diversas culturas. No mundo ocidental, particularmente, é dia de lágrimas, saudades e dúvidas: Continuam existindo após a morte? Pensarão em quem ficou? Haverá reencontro algum dia? A maioria das religiões, se não todas, apregoa a continuidade da vida - o corpo físico perece, mas a alma, ser inteligente, é imortal. Entretanto, como nem sempre conseguem explicar esse conceito, a imortalidade espiritual limita-se ao campo da fé. Há religiões que defendem que se dorme até o julgamento final, cuja data é incerta; outras mencionam a volta ao Todo Universal, com a perda da individualidade; outras, falam do céu e do inferno, destino que separa os que se amam só por terem seguido caminhos distintos. O Espiritismo também traz respostas, dadas pelos próprios espíritos: a morte não é fim, é etapa da existência em que o ser inteligente abandona o corpo carnal para viver no mundo espiritual. O processo de nascer, morrer e renascer (reencarnação!), dá ao espírito o ensejo de evoluir até a perfeição. Ninguém é destinado ao sofrimento eterno, erros serão corrigidos e todos amadurecerão para o amor. Os mortos do mundo físico não perdem a individualidade. Compreendem quem são, a razão de terem nascido e partido, sabem da nossa importân</CW><CW-11>cia em suas existências, sentem saudade, nos visitam como fariam se ainda estivessem aqui. Os reencontraremos, pois o interesse sincero, o afeto real une os seres: duvidar do amor é duvidar do motivo de existir. A morte somente liberta a alma, assim como a gaiola que é aberta liberta o pássaro. Onde estivermos ao pensar em quem partiu da vida material, será ali que ele virá, atraído por nossos pensamentos afetuosos. Não é necessário que seja no cemitério, ainda que possa ser. Não existe ambiente especial para sentir saudade, pensar, orar por quem amamos e vive noutra dimensão. A morte não é fim, é continuidade. Não significa adeus, é até breve. Finados é dia de louvar a vida, comemorar a Imortalidade, brindar ao amor. É mais um dia em que o sentimento atravessará o Universo se necessário for, para abraçar os que queremos e nos querem bem. VANIA MUGNATO DE VASCONCELOS é advogada, articulista e palestrante espírita.

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