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George Orwell e 1984

Da Redação | 29/01/2020 | 07:30

Há 70 anos, em janeiro de 1950, morria George Orwell, escritor inglês, autor do romance “1984”, a mais emblemática distopia do século 20. Alguém definiu a distopia como o “horror do presente” e “catástrofe sem saída”, por oposição à utopia (“sonho de outra sociedade”). Na utopia, parte-se do horror do presente para a construção de uma sociedade melhor; na distopia, o ponto de chegada é o horror do presente. No livro de Orwell, sob atmosfera pesada e asfixiante, acompanhamos a trajetória de Winston Smith, funcionário subalterno de uma engrenagem totalitária, de um Estado onipresente e policialesco que vigia o cidadão.

Depois de uma guerra de escala mundial, sobraram três grandes Estados transcontinentais, e a Oceania de Smith é um deles, formada pelas Américas, Reino Unido, Austrália e parte da África.  Ambientado numa Londres superpopulosa e fedorenta, conhecemos os quatro organismos estatais que trabalham para que tudo “ande bem”: o Ministério da Verdade (onde Smith trabalha), encarregado das notícias, da diversão, da instrução e das artes; o Ministério da Paz, cuja atribuição é a guerra; o Ministério da Fartura, para as atividades econômicas; e o temido Ministério do Amor, responsável por manter a lei e a ordem.

Controlado por partido político único, liderado por personagem carismático, “O Grande Irmão”, sempre presente em cartazes, fotos e frases – mas que ninguém nunca viu pessoalmente – o “Big Brother” personifica o Estado totalitário que recria a História conforme suas pretensões, e apoia-se em lemas aparentemente contraditórios: “guerra é paz”, “liberdade é escravidão”, “ignorância é força”. Em todo recinto público ou doméstico há uma teletela, misto de câmera, microfone e alto-falante, que não pode ser desligada pelo cidadão e que, em nome do Grande Irmão, tudo espiona.

O solitário Smith escreve um diário, apaixona-se por uma colega de trabalho (as relações afetivas estão proibidas) e conhece os mecanismos estatais de coerção e de repressão, com a tortura incluída. O autor ainda escreveria outro clássico, “A revolução dos bichos”, fábula mordaz e certeira aos revolucionários que, uma vez instalados no trono, recriam a opressão que condenavam e contra o qual lutaram.
Mas, voltando a “1984”, o livro de Orwell é um dos grandes romances contemporâneos, cuja relevância não diminui com o tempo, documento preciso contra todo regime ditatorial.

Fernando Bandini é professor de literatura do Ensino Médio.


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