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Geraldo Gattolini: Celeuma sobre dívidas

GERALDO GATTOLINI | 26/08/2018 | 05:30

Ao assistir aos primeiros debates e declarações dos candidatos a presidência da República nas eleições de 7 de outubro próximo, tenho notado um grande “vai e vém” de opiniões sobre o montante da dívida interna e do PIB. Pelo menos dois candidatos falaram de algo em torno de R$ 4,4 trilhões para a dívida interna e cerca de R$ 5,2 bilhões para o Produto Interno Bruto. Outros apresentam valores bem acima. Informações do Banco Central e que captamos num informe do Bando Mundial dão conta que o PIB encontra-se na casa dos R$ 6,7 trilhões e a dívida interna em R$ 4,5 trilhões. Desde 2012, a dívida está crescendo num ritmo nunca visto anteriormente.

Entra aqui a pergunta; “Como pagar essa dívida”? O candidato Geraldo Alckmin disse que é preciso fazer cortes e gerar superávit primário. Ciro Gomes vai na mesma trilha. Marina Silva destacou que o equilíbrio fiscal é meta a ser atingida. Já ouvimos também que haverá a venda de estatais federais. O patrimônio dessas estatais chega a R$ 5 trilhões. Então, se este número estiver correto, bastaria vender as estatais e a dívida interna desapareceria. Deste modo, pode-se mesmo imaginar que a dívida interna não é nenhum entrave ao crescimento econômico.

Há um outro lado desta questão. A dívida interna líquida deveria ser o espelho para a geração do parâmetro da dívida real? A dívida líquida deduz as transfêrencias entre estados e outros entes federativos, como por exemplo o tesouro nacional. Levando-se em consideraçao este conceito imaginado por vários economistas, a dívida líquida do serviço público cairia para algo em torno de 55,65% do PIB e não 77%, como é costumeiramente citado pelo mundo político e também pela mídia.

Aliás, a mídia eletrônica, com esses debates entre debatedores, tem causado muita celeuma, porque dá atenção excessiva às opiniões dos candidatos e muitos apresentadores não se prepararam convenientemente para os debates mais técnicos. Também no Supremo Tribunal Federal (STF) os juízes encontram dificuldades. Temos visto muitas opiniões desencontradas, o que contribui também para aumentar a celeuma sobre a situação econômica e financeira do país.

Com este panorama, pode-se perguntar: “Existe no Brasil, hoje, alguém que conheça realmente a nossa situação”? Parece que os candidatos Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e Álvaro Dias possuem as melhores assessorias. Porém, ninguém falou até agora sobre a dívida líquida, quando o próprio FMI está colocando o assunto na pauta de suas cogitações.

GERALDO GATTOLINI é jornalista e pesquisador / gattolini@uol.com.br

ARTICULISTA GERALDO GATTOLINI JORNALISTA


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